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Salários têm os maiores reajustes em dez anos
10 de março de 2006
RIO – Balanço divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) indica que 72% das negociações salariais de 2005 resultaram em reajustes acima da inflação apurada pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até as respectivas datas-base. O mesmo levantamento revela que 88% das 640 negociações coletivas acompanhadas pelo Dieese obtiveram, no mínimo, a recomposição da inflação. Este foi o melhor desempenho já constatado pelo Dieese em sua série histórica, iniciada em 1996, indicando a continuidade da recuperação salarial já verificada em 2004.
Cerca de 16% dos reajustes salariais corresponderam exatamente ao INPC até a data-base. Outros 35% dos acordos obtiveram ganho real até 1% e 37% das negociações resultaram em reajustes de mais de 1% acima da inflação. Segundo o levantamento, em somente 12% dos acordos a correção foi inferior ao INPC. De acordo com o Dieese, o bom resultado das negociações salariais no ano passado foi provocado por fatores positivos como o crescimento econômico e a baixa inflação. “Apesar de 2005 ter sido ruim para a economia e da surpresa desagradável de crescimento do PIB em 2,3%, os sindicatos conquistaram uma performance muito boa”, disse o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.
O Dieese acredita que as campanhas salariais deste ano poderão manter o mesmo desempenho do ano passado. Segundo Lúcio, o otimismo resulta das expectativas de crescimento econômico e da possibilidade de retomada de investimentos produtivos e em infra-estrutura no País.
Porém, como 88% das negociações salariais resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação, ele observa que o ritmo de crescimento de acordos bem-sucedidos tende a diminuir. “Estamos chegando a um teto, um patamar muito elevado, que é difícil crescer.”
Quanto ao desempenho de 2005, Lúcio observou que, mesmo com o crescimento baixo, o País viveu um período de nove trimestres consecutivos de crescimento, “o mais longo em décadas”, e os sindicatos de trabalhadores souberam aproveitar essa condição nas negociações.
Alguns aspectos negativos acabaram ajudando. Lúcio citou que os salários pagos, desde 2003, estão no pior nível da série histórica. Por isso, qualquer melhoria, como a verificada no ano passado, com a expansão do salário real médio, já resulta em fator positivo.
Fonte: Jornal do Commercio
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