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Novo julgamento ainda é incerto

3 de maio de 2013
Até o fim deste mês, o procurador de Justiça Gilson Barbosa deve emitir seu parecer sobre o pedido de apelação dos promotores do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para anular o júri popular que absolveu os kombeiros Marcelo e Valfrido Lira da acusação de matar as adolescentes Maria Eduarda Dourado e Tarsila Gusmão. Após o pronunciamento do MPPE, estará nas mãos dos desembargadores do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a decisão de realizar ou não outro julgamento do Caso Serrambi, como ficou conhecido o assassinato das jovens.
 
Hoje, completa dez anos que as garotas, então com 16 anos, desapareceram após um passeio de lancha de Serrambi a Maracaípe, no Litoral Sul. Os corpos foram encontrados dez dias depois, num canavial em Ipojuca. Os irmãos Marcelo e Valfrido Lira, que chegaram a ser presos sob a acusação de ter matado as jovens, foram absolvidos no júri popular realizado em 2010. Os promotores do caso alegam que o corpo de jurados foi contrário às provas dos autos e, por isso, querem outro julgamento. Caso a anulação seja autorizada, o MPPE entrará ainda com o pedido de desaforamento do caso para o Recife.
 
Na opinião do promotor de Justiça Ricardo Lapenda, não restam dúvidas de que os irmãos Lira foram os autores do duplo assassinato, que acabou se tornando o caso policial mais emblemático da última década no estado. “Se o desembargador decidir pela anulação, vamos pedir ainda que o segundo seja realizado no Recife”, disse Lapendar.
 
A novela em torno do Caso Serrambi se arrasta até hoje devido às divergências que existiram entre o então promotor de Justiça de Ipojuca, Miguel Sales, e a Polícia Civil desde o primeiro inquérito. O caso foi investigado cinco vezes, duas delas pela Polícia Federal, e em todas as conclusões os irmãos kombeiros foram apontados como autores do crime.
 
Para o promotor Salomão Abdo Aziz, que atuou no julgamento ao lado de Ricardo Lapenda, os álibis dos kombeiros não convenceram. “Apenas sobre os óculos de Tarsila, Valfrido apresentou três versões diferentes. Ele disse uma coisa na polícia, uma na audiência e outra no julgamento. Não restam dúvidas de que os irmãos Lira são os autores das mortes de Tarsila e Maria Eduarda.
 
Saiba mais
 
Cronologia
 
No dia 2 de maio de 2003, Maria Eduarda Dourado e Tarsila Gusmão seguiram para um fim de semana numa casa de praia em Serrambi, com um grupo de amigos
 
No dia seguinte, um sábado, o grupo saiu para um passeio de lancha até a praia de Maracaípe, ao lado de Porto de Galinhas 
 
No fim da tarde, o grupo se reuniu para voltar a Serrambi. Apenas Maria Eduarda e Tarsila não retornaram com os demais amigos
 
As meninas procuraram um telefone público e ligaram para o dono da casa onde estavam hospedadas pedindo que ele as fosse buscar em Porto
 
Uma testemunha afirmou à polícia ter visto as duas adolescentes entrando em uma Kombi branca de para-choque verde
 
No dia 13 de maio de 2003, os corpos das duas jovens foram encontrados pelo pai de tarsila em um canavial no distrito de Camela, em Ipojuca
 
No dia 18 de maio, os agentes civis prenderam os irmãos kombeiros. Eles foram soltos em julho por falta de provas.
 
No dia 3 de setembro de 2010, depois de cinco dias de julgamento, os irmãos kombeiros foram inocentados pelo júri popular, por quatro votos a três
 
Entrevista >> Marcelo José de Lira, kombeiro

“As pessoas acreditam em nós”
 
O que você tem a dizer sobre a possibilidade de um novo julgamento?
Eu peço a Deus que não tenha outro julgamento. Mas não é com medo não. É porque eu penso que se houver outro júri é como se eu e meu irmão estivéssemos sendo torturados psicologicamente. Além disso, será uma vergonha para o estado de Pernambuco se vier a acontecer outro. Não houve nada errado no primeiro.
 
Desde o começo, você e Valfrido dizem que são inocentes. O que você achou do resultado do júri de 2010?
Eu e meu irmão tínhamos certeza de que iríamos ser absolvidos. Eu sabia que a gente não seria condenado. Somos inocentes. Se houver outro júri popular, posso afirmar que 90% da população estão do nosso lado. As pessoas acreditam na minha inocência e na do meu irmão. Nós não matamos aquelas meninas.
 
Você continua trabalhando como kombeiro?
Continuo. Por enquanto não estou podendo rodar com a Kombi, pois sofri um acidente no dia 11 de janeiro. Passei 45 dias internado e estava com a perna toda engessada. Fui ao médico agora e ele mandou colocar gesso na metade da perna. Por enquanto, não estou podendo trabalhar.

Fonte: Diario de Pernambuco

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