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Carga tributária, o obstáculo
19 de maio de 2007
SÃO PAULO – Quase a metade da indústria de transformação considera hoje a elevada carga tributária como o principal obstáculo ao investimento, enquanto o juro, apontado durante um longo período como vilão, perdeu relevância nesse rol de preocupações.
Das 1.075 empresas consultadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Sondagem da Indústria de Transformação no mês passado, 49% apontaram a elevada carga tributária com o principal fator limitante ao investimento. Em 2006, lembra o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo, esse obstáculo havia sido apontado por 45% das empresas e a tendência era de queda ante 2005 (46%). Em quatro anos, de 2004 a 2007, é o maior resultado da série. Nesse período, o acréscimo foi de dez pontos percentuais.
“O resultado mostra que as indústrias poderiam investir muito mais, se não fosse a elevada carga tributária”, diz Campelo. Já os juros foram apontados por 18% das empresas como um fator restritivo. Esse índice está dois pontos percentuais abaixo do ano passado. Também é o menor da série histórica para esse quesito desde 1998.
A sondagem revela uma forte intenção de investimento neste e no próximo semestre. De acordo com a pesquisa, 34% das companhias declararam que estão investindo mais neste semestre em relação ao segundo semestre de 2006. Também 34% delas pretendem ampliar os investimentos no segundo semestre deste ano na comparação com o atual.
ARRECADAÇÃO
Atualmente, a carga tributária do Brasil é umas das mais altas do mundo. O peso de impostos, taxas e contribuições equivale a 38% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Entre janeiro e abril deste ano o governo federal arrecadou R$ 181,283 bilhões em tributos, o que representa crescimento real (já descontada a inflação) de 11,5% em relação ao mesmo período de 2006. Estão incluídos nesse resultado os R$ 45,712 bilhões arrecadados pela Previdência no período. Com a criação da Super-Receita, um único órgão responde pela cobrança de contribuições previdenciárias e tributos federais.
Fonte: Jornal do Commercio
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