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Revendedores cobram fiscalização

25 de agosto de 2007

 

A adulteração de combustíveis tem prejudicado muitos motoristas em Pernambuco. No próximo dia 29, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Pernambuco (Sindicombustíveis) vai se reunir com representantes da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz) e do Ministério Público para discutir políticas contra a adulteração. A idéia é lançar uma campanha que oriente o consumidor na hora de encher o tanque. “Ainda não decidimos os detalhes da campanha, mas ela será lançada. Além disso, queremos que os postos sejam cadastrados e que a Sefaz feche o cerco contra os clandestinos”, explica o presidente do Sindicombustíveis, José Afonso Nóbrega.

Na próxima segunda-feira, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, vai assinar um protocolo de intenções com o governo do Estado para renovar um convênio de fiscalização do mercado de combustíveis.

O convênio tem a intenção de promover um curso de capacitação para os fiscais da Secretaria da Fazenda para coleta e análise de combustíveis. Segundo Nóbrega, a Sefaz, que na semana passada anunciou que vai aumentar a fiscalização no setor, ainda tem uma ação tímida com relação às irregularidades. “A adulteração geralmente acontece no transporte. Os atravessadores compram o álcool das usinas sem nota e vendem aos postos. Tem vários postos que fazem isso na região de Gravatá e Carpina”, diz Nóbrega. O presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, afirma que o álcool não é adulterado nas usinas e que as vendas são acompanhadas do boletim de certificação. “Com certeza, a adulteração não acontece nas usinas”, garante.

Uma atuação mais forte da Sefaz também é cobrada pelo gerente regional da Ipiranga no Nordeste, Paulo Edílson Dutra. Ele informa que a secretaria deveria caçar o registro dos postos flagrados com combustíveis adulterados. “Tem que tirar o ponto comercial de funcionamento”. Segundo os cálculos de Dutra, cada percentual de álcool a mais na gasolina, além do limite de 25%, traz um lucro de R$ 0,02 para o posto. “Se ele colocar 30% de álcool no litro da gasolina, o lucro vai ser de R$ 0,10”.

A Sefaz quer aumentar a fiscalização porque a arrecadação do setor diminuiu em 7,4% no acumulado de janeiro até o mês passado. Em relação ao mesmo período do ano passado, a redução é de R$ 42,5 milhões. Para Dutra, um dos fatores que provocaram a queda na arrecadação foi o aumento das vendas do álcool. O produto é mais barato do que a gasolina.

CONSUMIDOR

As oficinas mecânicas especializadas em injeção eletrônica recebem vários veículos por semana com defeitos provocados pela gasolina batizada. O gerente da Auto Mais (oficina situada na Avenida Norte), Elenílson Ataíde, conta que a freqüência de clientes com problemas chega a 5 por semana. “Dependendo do grau de adulteração, o combustível danifica os sensores e os bicos injetores. Uma vez, um cliente gastou R$ 500 para consertar o carro”, explica Ataíde.

Ele sempre aconselha que os seus clientes abasteçam em postos conhecidos. “O ideal é não mudar muito de posto. Já vi gasolina batizada até em postos grandes de marcas famosas”, garante. O mecânico Rildo Rocha, que trabalha na Auto Mecânica Caxangá, indica que o consumidor deve fugir da gasolina muito barata. “Quase sempre tem problema. O prejuízo mínimo é de R$ 100”, calcula.

O custo provocado pela troca da bomba de combustível varia entre R$ 180 e R$ 650, segundo o gerente da Auto Shopping Boa Viagem, Roberto Clemente. “A gasolina dá mais trabalho que o álcool. A maioria dos meus clientes com problemas abasteceram em postos sem bandeira”.

José Afonso Nóbrega indica que o consumidor deve pedir a nota fiscal na hora de encher o tanque. “É um documento para ações futuras na justiça”. Ele diz que tem álcool clandestino que vem de São Paulo para Pernambuco custando R$ 1 o litro. “Como a safra começa este mês, a adulteração deve aumentar”, prevê. Para Dutra, o litro do álcool por menos de R$ 1,49 é um alerta de irregularidade. “Quem vende com esse preço não tem lucro nenhum”.

Fonte: Jornal do Commercio

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