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Eduardo e as contas de Pernambuco (Coluna TROCANDO EM MIÚDOS)
10 de dezembro de 2006
Durante a campanha eleitoral, o então candidato Eduardo Campos (PSB) utilizou uma estratégia inteligente para evitar o aprofundamento das discussões sobre contas públicas. Sempre que era questionado sobre a péssima situação financeira de Pernambuco em 1998, quando terminou o mandato do ex-governador Miguel Arraes, argumentava que era necessário olhar para frente, que o pernambucano não aguentava mais o “azedume” de só se falar sobre o passado, que era preciso unir esforços para fazer o Estado avançar. A mesma linha de raciocínio era usada quando o assunto era a polêmica operação dos precatórios. “Pernambuco não aguenta mais essa discussão”, repetia várias vezes. Eduardo, ex-secretário estadual de governo e da Fazenda entre 1995 e 1999, foi eleito em novembro passado com mais de 65% dos votos. Fortalecido por uma vitória incontestável, assume o governo em 22 dias.
Não se pretende aqui um ataque tardio à retórica da campanha socialista. O que chama atenção, neste momento, é a mudança de postura, o raiar de um discurso incoerente. O governador eleito, quem diria, parou de mirar o futuro e voltou-se para o que já passou. Não propriamente ele, é verdade, mas sua equipe – legitimada pelo próprio e personificada no vice, João Lyra Neto. Em vez de começar a discutir políticas de governo, políticas de Estado, eis que o grupo de transição que assessora Eduardo inventou de dizer que as contas de Pernambuco têm um “frágil equilíbrio”. É balela.
Pernambuco não está nadando em dinheiro, é bom que se diga, mas a saúde fiscal do Estado é boa, melhor inclusive que a da maioria dos Estados brasileiros. O Estado cumpre todos os fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal, está em dia com o pagamento de servidores, não tem problemas com fornecedores e vem reduzindo as despesas com juros da dívida. Os atuais problemas, como bem sabem Eduardo, João Lyra Neto e os mais de 8 milhões de habitantes do Estado, são outros. Não há segurança pública, não há uma política eficaz de distribuição de renda, não há ações concretas de inserção social, não há educação pública de qualidade, não há saúde pública decente, não há um plano concreto de geração de emprego e renda.
O grande desafio de Eduardo a partir de 1º de janeiro é exatamente este: melhorar os indicadores sociais de Pernambuco. No Ministério de Ciência e Tecnologia, o governador eleito mostrou que tem habilidade e competência para mesclar o técnico com o político. Além disso, tem experiência administrativa no próprio executivo estadual, contará com uma base parlamentar sólida e terá o apoio do presidente Lula.
Se conseguir promover um salto de qualidade na área social de Pernambuco, Eduardo despontará como uma das principais lideranças políticas do País. Se fracassar, pode culpar qualquer um ou qualquer coisa, menos falar de herança maldita na área financeira. Seria injusto.
Fonte: Jornal do Commercio
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