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Nota zero na hora de aplicar os tributos
4 de abril de 2014A constatação já é tão óbvia quanto revoltante: o Brasil continua sendo o país que pior aplica os tributos arrecadados. Os brasileiros são os que mais pagam impostos e, em contrapartida, os que têm os piores serviços públicos. Ontem, pela quinta vez, o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) divulgou pesquisa que compara a carga tributária e a qualidade de vida em 30 nações. O resultado foi o de sempre. Sem muitas surpresas, o Brasil amarga o último lugar do ranking, posição que ocupa desde a primeira edição do estudo.
À frente, com um retorno mais digno dos valores recolhidos, aparecem países como Uruguai e Argentina. “E ainda falam que o Brasil é a locomotiva da América Latina, o líder do continente e não sei mais o quê. Como? De que forma?”, provoca o presidente do IBPT, João Eloi Olenike.
A pesquisa leva em conta dados oficiais referentes à arrecadação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 30 países com maior carga tributária. Os Estados Unidos, seguidos pela Austrália, Coréia do Sul e Irlanda, estão entre os que melhor devolvem à população, em forma de bem estar, o valor dos tributos. A Bélgica se destacou desta vez, após saltar do 25º para o 8º lugar.
O ano base da pesquisa divulgada ontem é 2012, mas o IBPT começou a trabalhar com os números do ano passado e é quase certo que o Brasil não deixe a constrangedora colocação atual. “A verdade é que nosso IDH está estacionado e a carga tributária não para de crescer”, diz Olenike. “Da maneira como as coisas andam, é muito difícil que o Brasil deixe a última posição do ranking no curto prazo. Não é pessimismo, são os números”, emenda o tributarista.
Mesmo mergulhada em uma permanente crise econômica e tendo perdido três colocações – caindo do 24º para o 21º lugar –, a Argentina oferece, de acordo com o estudo, serviços públicos mais condizentes com o montante de tributos arrecadados. “Nossa situação é mesmo alarmante. O povo paga imposto e não vê retorno”, insiste Olenike.
Fonte: Diario de Pernambuco
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