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Inflação eleva taxa de juros

28 de agosto de 2013
Quando os diretores que integram o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central baterem hoje o martelo e elevarem a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 9% ao ano, conforme preveem os especialistas, eles estão assumindo o erro de cálculo da própria instituição, que, por um bom período, optou por abrir mão de fundamentos técnicos para atender aos apelos políticos da presidente Dilma Rousseff.
 
Há dois anos, quando, sob pressão do Palácio do Planalto, o BC iniciou o processo de derrubada da Selic para o menor patamar da história (7,25% ao ano), o presidente da instituição, Alexandre Tombini, justificou a medida como uma forma de proteger o país dos riscos que a recessão nas principais economias do mundo poderia provocar sobre a recuperação da atividade econômica no Brasil. Na prática, pregava que o menor crescimento externo ajudaria a reduzir a pressão sobre os preços de produtos e serviços no Brasil, o que não aconteceu. Muito pelo contrário.
 
Já naquele momento, a inflação no país vinha em uma espiral de alta, que culminou nos 6,5% acumulados em dezembro de 2011, teto da meta perseguida pelo BC. Tombini escapou de ser obrigado a emitir uma carta à nação explicando os motivos de não ter cumprido a missão de manter o custo de vida no limite da tolerância. Nos meses seguintes, porém, o estouro da meta foi frequente, mesmo com o ritmo da atividade desabando. A situação ficou tão complicada que em nenhum momento deste ano o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou abaixo de 6%.
 
No entender dos especialistas, a crença do governo de que um pouquinho mais de inflação ajudaria a estimular o Produto Interno Bruto (PIB) mostrou-se um equívoco, que minou tanto a confiança das famílias quanto do empresariado. Segundo o economista Juan Jensen, sócio da Consultoria Tendências, houve erros “generalizados” na condução da política econômica. “A redução da taxa de juros promovida pelo BC foi uma medida que tinha como objetivo salvar o crescimento econômico, e não trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%”, criticou.
 
Agora, mesmo que a Selic seja elevada dos atuais 8,5% para até 10% ao ano, como preveem as instituições nas pesquisas semanais realizadas pelo BC, a ação do Copom não será suficiente para levar o reajustes de preços para o centro da meta. “O governo está muito confortável com uma inflação de 6% ao ano.”
 
Caso o BC realmente estivesse comprometido em “levar a inflação para próximo de 4,5%”, afirmou Alexandre Schwartsman , doutor em economia pela Universidade da Califórnia, os juros básicos teriam de ir além de 12% ao ano. “2014 é ano de eleições, e o governo não quer correr o risco de prejudicar a presidente Dilma Rousseff.” 

Fonte: Diario de Pernambuco

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