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Governistas sepultam e ressuscitam plebiscito
5 de julho de 2013Um governo ainda desnorteado entre as reivindicações das ruas e a pressão da base aliada enterrou e ressuscitou ontem, em um intervalo de cerca de cinco horas, o projeto de plebiscito sobre a reforma política com regras valendo já para as eleições de 2014. Veio do vice-presidente Michel Temer, no fim da manhã, a declaração que representaria a pá de cal sobre a intenção da presidente Dilma Rousseff de propor a consulta popular para fundamentar a reforma do sistema político brasileiro. “Não há mais condições e, vocês (jornalistas) sabem disso, de fazer qualquer consulta antes de outubro. E, não havendo condições temporais para fazer essa consulta, qualquer reforma que venha só se aplicará para as próximas eleições (2016), e não para esta (2014)”, disse Temer, depois de se reunir, no Palácio do Jaburu, com líderes da base aliada no Congresso.
Na sequência, Temer comentou o prazo de 70 dias que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse precisar para organizar a logística do plebiscito. “A esta altura, embora fosse desejável, é temporalmente impossível”, afirmou o vice-presidente.
Reação
A rejeição dos líderes partidários à proposta — apresentada por Dilma no auge das manifestações que causaram uma queda de 27 pontos percentuais em sua popularidade — ficou clara na saída da reunião feita no Palácio do Jaburu, bem como a dificuldade de relacionamento do governo com a base depois da tentativa de resposta da presidente à crise política. “Não podemos fazer a reforma de forma açodada, porque corremos o risco de fazer um monstrengo”, criticou o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). A impossibilidade de fazer a reforma política valer já para as eleições de 2014 foi reforçada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Não demorou para a presidente demonstrar irritação com os rumos da negociação em torno do plebiscito. Em Salvador, onde participou do lançamento do Plano Safra Semiárido, Dilma bateu de frente com a argumentação da base aliada de que não haveria tempo suficiente para explicar as propostas da reforma para a população. “Eu acredito muito na inteligência, na sagacidade, na esperteza do povo brasileiro. Acho que o povo brasileiro sempre mostrou, ao longo de toda a nossa história, que as suas escolhas sempre foram acertadas”, alfinetou Dilma. Ato contínuo, Temer divulgou nota oficial, por volta das 17h, que representou uma espécie de “recuo do recuo” sobre os efeitos do plebiscito já para 2014.
Depoimento
O vaivém de Temer
Antes: 11h49
"Não há mais condições, vocês (jornalistas) sabem disso, de fazer qualquer consulta antes de outubro. E, não havendo condições temporais para fazer essa consulta, qualquer reforma que venha só se aplicará para as próximas eleições (2016), e não para esta (2014)”
Michel Temer, vice-presidente da República, após reunião com lideranças da Câmara
Depois: 17h
"Embora reconheça as dificuldades impostas pelo calendário, reafirmo que o governo mantém a posição de que o ideal é a realização do plebiscito em data que altere o sistema político-eleitoral já nas eleições de 2014”
Michel Temer, vice-presidente da República, em nota divulgada à imprensa
Saiba mais
A realização do plebiscito sob a ótica de dois potenciais candidatos à presidência
Eduardo sugere mudança pontual
O governador Eduardo Campos (PSB) afirmou ontem que o melhor caminho para “mudar a política no país” é não perder tempo esperando para decidir por algo que todo mundo já sabe qual o desejo da população. O socialista citou como exemplo o fim do voto secreto, em processo de votação no Senado, o fim das coligações e a coincidência de mandatos. “Nesse momento, essas mudanças iam melhorar muito a política no Brasil”, destacou o socialista.
Eduardo ponderou, inclusive, que o país precisa sair da pauta política e ir para a pauta real. Na avaliação dele, a expressão dos protestos que foram às ruas nos últimos dias no Brasil deve ser visto como um sinal de que o país precisa avançar. “O Brasil precisa melhorar na política e nos serviços públicos. Mas a gente só tem condição de fazer isso se não deixar piorar a economia e preservar os empregos que geramos”. Ele negou, inclusive, que os partidos aliados criam problemas para a presidente Dilma Rousseff quando se opõem à realização de plebiscito já para este ano. “Pelo contrário, estamos abrindo mais espaços para se escolher perguntas que sejam mais do agrado do povo”.
Aécio critica a indefinição
A dificuldade do Planalto em definir um rumo diante da crise política foi novamente alvo de ataques da oposição. Provável adversário de Dilma na corrida presidencial de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o episódio mostra “o fim antecipado de um governo que não consegue dar respostas”. “(O plebiscito) nasceu morto e o governo sabia disso. O governo, quando criou a constituinte exclusiva, que durou 24 horas, sabia que era inviável. Quando apresentou uma proposta de plebiscito sobre temas tão complexos em um prazo tão curto, sabia que era inviável”, disse.
O tucano anunciou ainda que o PSDB apresentará, na semana que vem, um conjunto de ideias consensuais no partido sobre a reforma política. “(O plebiscito) era um engodo. Era uma forma de desviar a atenção da população das questões centrais”, disse, acrescentando que a melhor opção é fazer um referendo. O tucano acusou o governo de não fazer mea culpa em relação às manifestações. “O governo velho continua falando para um Brasil novo, que surgiu das ruas”, disse Aécio.
Fonte: Diario de Pernambuco
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