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Artigo de Opinião – SAUDADE

22 de julho de 2026

Artigo de Opinião

SAUDADE
Por Rose Holanda

Hoje acordei com uma saudade que não é apenas do passado, mas de um tempo em que a Sefaz era muito mais do que um local de trabalho.

Ela era uma casa. Um segundo lar para cada um de nós.

Havia servidores cujas histórias se misturavam à própria história da instituição. Famílias inteiras construíram esse legado. Avós, pais e filhos vestiam a mesma camisa, não apenas pelo salário, mas pelo orgulho de pertencer.

No meu caso, essa trajetória começou com meu avô, passou pelo meu pai e chegou até mim. Não herdamos apenas uma profissão; herdamos valores, compromisso, respeito e amor pela instituição.

É verdade que toda organização evolui e precisa acompanhar seu tempo. Mas algo se perdeu no caminho.

O espírito de pertencimento foi cedendo espaço à disputa por cargos, influência e poder. Em muitos casos, a carreira passou a ser vista apenas como um instrumento de ascensão pessoal, e não como uma missão de servir e fortalecer a instituição.

Quem ajudou a construir essa história, quem dedicou décadas de trabalho, enfrentou desafios e consolidou a credibilidade da Sefaz, muitas vezes sente que sua trajetória já não é lembrada nem valorizada.

Nenhuma instituição se sustenta apenas por normas, tecnologia ou resultados. Ela se fortalece quando preserva sua memória, respeita seus pioneiros e inspira as novas gerações a sentirem orgulho de fazer parte dela.

O verdadeiro patrimônio da Sefaz nunca foi apenas sua arrecadação. Sempre foram as pessoas que a construíram com dedicação, ética e espírito público.

Que nunca nos esqueçamos de que uma instituição que honra sua história também fortalece seu futuro.

Quanto ao secretário e aos colegas que estão resistindo a paralisação, tenho a dizer: que a maior decepção não vem de quem nunca caminhou ao nosso lado.

Ela vem de quem conhece a nossa história, sabe das lutas que enfrentamos, viu o que foi construído ao longo de décadas e, ainda assim, escolhe ignorar esse legado.

Quando a confiança é substituída por decisões tomadas sem transparência, o respeito dá lugar à frustração. Quem antes inspirava liderança passa a despertar dúvidas sobre seus compromissos e prioridades.

Uma instituição forte não se constrói com acordos feitos longe do conhecimento daqueles que serão diretamente afetados. O diálogo, a legalidade e o respeito às regras são os pilares de qualquer gestão que pretenda deixar um legado positivo.

A história ensina que a maior traição não é a do adversário, mas a de quem conhece o valor da casa e, mesmo assim, se afasta dos princípios que um dia disse defender.

Lealdade não é um discurso. É uma escolha, especialmente quando ninguém está olhando.

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