Tudo de novo, do mesmo jeito de sempre. O inverno nem começou oficialmente e o sistema viário do Recife já parece estar vivendo a estação com intensidade. Os buracos começam a ser vistos por toda parte, tanto em bairros da periferia como em áreas nobres da cidade. Ninguém escapa. Na semana passada um veículo foi "engolido" por um buraco no bairro dos Aflitos, Zona Norte do Recife. Ontem, outro carro caiu num buraco conhecido dos moradores do bairro do Espinheiro, na mesma região, que insiste em reabrir sempre que chove. Na Zona Sul, colégio resolveu estampar um aviso aos pais dos alunos informando que vem insistentemente pedindo à Prefeitura do Recife que minimize o mar de crateras em que se transformou a principal rua de acesso à escola, sem sucesso. A prefeitura, entretanto, garante não estar de braços cruzados, tendo gasto R$ 3,5 milhões com o fechamento de buracos em 2.386 vias da capital desde janeiro.
A placa de insatisfação foi colocada pelo Colégio Boa Viagem, uma das maiores escolas da Zona Sul. Desde a última segunda-feira pais e alunos que chegam ao colégio se deparam com uma placa informativa, explicando que desde janeiro a unidade solicita à PCR uma solução para os buracos da Rua Pedro de Melo Cahu, localizada por trás da escola. "Tivemos que colocar esse aviso porque os pais estavam nos cobrando uma solução. Precisávamos informar que tínhamos cumprido com nosso papel e que também estávamos constrangidos com a situação. A rua está intrafegável e é uma via importantíssima para a chegada e saída de nossos alunos. Tivemos retorno da prefeitura, mas sem uma data certa para resolver o problema. Os técnicos explicaram que há uma demanda grande de pedidos e que todos serão atendidos por ordem", conta o diretor pedagógico do CBV, José Ricardo Diniz.
A placa foi instalada na entrada do pátio principal da escola para ser vista por todos. A rua em questão, de fato, parece uma tábua de pirulitos. Os buracos tomaram conta de toda extensão da via, agravados pelo lançamento de água e pela movimentação de caminhões de um prédio em construção. A via integra o binário das Ruas Francisco da Cunha e Nelson Hungria, implantado na gestão passada como uma das soluções para melhorar a circulação em Boa Viagem. "Já denunciamos essa situação na internet e ninguém resolve. Essa rua é importante tanto para quem sai do Colégio Boa Viagem como do Santa Maria. E está intrafegável", reclama Ângela Dalle Canejo, que diariamente passa no local para resgatar os netos na escola.
A degradação do sistema viário também pode ser vista em outras regiões da cidade, inclusive em corredores de ônibus. Um exemplo é a Rua do Peixoto, no bairro de São José, uma das principais ruas de acesso dos coletivos que passam pelo Centro com destino à Zona Sul e das linhas circulares que partem do Terminal Integrado do Recife, ao lado do metrô. O buraco, segundo moradores, está aberto desde a primeira chuva forte que caiu na Região Metropolitana, dia 17 de maio. "Colocamos restos de madeira e outros objetos para chamar atenção dos motoristas, principalmente de ônibus. Eles estavam caindo no buraco e quase provocando acidentes. Meu filho ia sendo atropelado na calçada", conta a dona de casa Janaína Ferreira da Silva.
Fernandha Batista, diretora de Manutenção Urbana do Recife, garante que a prefeitura está agindo para manter o sistema viário da cidade em boas condições. Pondera que há muitas interferências que pesam contra a preservação do pavimento, especialmente o fato de a cidade ter 70% de sua área sem saneamento básico. Mas diz que há projetos para garantir, em breve, a qualidade do sistema. "Estamos trabalhando todos os dias com a operação tapa-buraco e já recapeamos 45 ruas este ano, investindo R$ 11 milhões. Isso representa 309 mil metros quadrados de área recapeada. Trocamos 410 placas de concreto, gastando quase R$ 1,8 milhão, e estamos preparando a licitação para que seja utilizado o CBUQ, um tipo de asfalto mais resistente, nas futuras ações de tapa-buraco", promete.
Fonte: Jornal do Commercio