Um dos cartões-postais do Recife e convivendo com o abandono e o caos urbano, a Boa Vista vê sua população diminuir 2% a cada ano, apesar do sem-número de atrativos que oferta. O bairro, que concentra 12,7% das unidades não residenciais da capital, tem menos de 15 mil moradores. A revitalização da área é um dos pontos de discussão do seminário Cidades Habitáveis, evento que já passou pela Argentina, Chile, Espanha e Cingapura e chega pela primeira vez ao Brasil. O evento acontece das 8h30 às 13h, no Centro de Artesanato de Pernambuco, no Bairro do Recife. O prefeito Geraldo Julio é esperado.
A Boa Vista é exemplo emblemático da degradação dos centros urbanos. O bairro convive com uma série de problemas, como excesso de carros, ruas poluídas, falta de iluminação, comércio informal desordenado, calçadas ocupadas e imóveis em situação precária, o que na opinião de especialistas justifica o êxodo de moradores.
A lista de atrativos, no entanto, é igualmente extensa. Um projeto para revitalização da área será apresentado no seminário pela diretora do escritório de consultoria Cardus Estratégias Urbanas, a arquiteta e urbanista Vitória Andrade.
O estudo pretende propor uma conexão entre os diversos polos da localidade: o setor de comércio tradicional, que tem como epicentro a Rua Imperatriz, o setor de varejo moderno, representado pelo Shopping Boa Vista, o setor educacional, com os colégios, cursos e faculdades no entorno da Avenida Visconde de Suassuna, e o nó viário da Agamenon Magalhães na altura do Derby.
A proposta é reforçar o caráter habitacional do bairro, com a construção de residenciais de poucos andares, que possam ser utilizados por trabalhadores e estudantes. A ideia é incentivar também a dinamização das atividades culturais, agrupamento do comércio especializado, requalificação do espaço público, revitalização do patrimônio, recuperação das calçadas e arborização.
"A Boa Vista é um bairro com muitas funções que estão desarticuladas. Propomos fortalecer esse diálogo, com intervenções no sistema viário e sugestões de ocupar áreas ociosas. É um bairro central, arborizado, saneado, com coleta de lixo, perto de tudo e com valor afetivo para os recifenses", afirmou Vitória, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de Pernambuco (IAB/PE).
O seminário é organizado pela Philips, com apoio do Conselho Empresarial Brasileiro de Sustentabilidade, Observatório do Recife, Fundação Avina e Prefeitura do Recife. "A ideia é debater os impactos dos problemas de mobilidade na vida das pessoas. Vamos tratar sobre problemas, desafios e propostas", disse a coordenadora do Núcleo Executivo do Observatório do Recife. Kilsa Rocha.
Estará presente no encontro o urbanista Philip Yang, fundador do Instituto Urbem e desenvolvedor do projeto escolhido pela prefeitura para revitalizar o Centro de São Paulo.
Fonte: Jornal do Commercio