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Volta às aulas está 10,4% mais cara

17 de janeiro de 2014

O gasto dos pais com livros e material escolar ficou 10,4% maior este ano. O cálculo é do Instituto Data Popular, um dos mais tradicionais do País em pesquisas especializadas na classe C. No total, em todo o Brasil a estimativa é de R$ 14,4 bilhões em gastos com livros e material escolar nesta volta às aulas, 21% da cifra no Nordeste.

Com base em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Data Popular mostra que a subida de preços no setor educacional tem se colocado de forma persistente acima da inflação em geral desde 2009. No ano passado, por exemplo, a inflação oficial do País, o IPCA, fechou em 5,91%, a subida de preços na área de educação bateu 7,94%.

A estimativa do Instituto Data Popular mostra que é no Sudeste onde se concentram 52% dos gastos nacionais com livros e material escolar. No caso das matrículas e mensalidades, que segundo a estimativa do Data Popular devem atingir R$ 58 bilhões este ano, o Sudeste responde por uma concentração ainda maior do total, 57%. O Nordeste aparece na segunda colocação nos dois rankings – a participação é de 18% no caso de matrículas e mensalidades.

Na avaliação do presidente do Instituto, Renato Meirelles, o motivo de um crescimento dos preços no setor educacional acima da inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, é um maior número de estudantes em escolas e universidades privadas, além da expansão de cursos extracurriculares.

Quando se observa os dados de gastos com educação separados pelo poder aquisitivo dos consumidores, a classe média e a classe alta praticamente empatam no material escolar e livros, com participações, respectivamente, de 42% e 43% no total, algo em torno de R$ 6 bilhões. A classe C representa 15% do total, com R$ 2,2 bilhões.

Mas quando a análise é feita de olho no valor das matrículas e mensalidades, a diferença nos desembolsos entre cada classe social sobe muito. Nesse aspecto, o Data Popular calcula o gasto da classe C em R$ 4,2 bilhões. No caso da classe média, a conta estimada é de R$ 15,3 bilhões. E na classe alta, a diferença é gritante: R$ 38,5 bilhões. Em todo o Brasil, o total para 2014 é calculado em R$ 57,9 bilhões.

INVESTIMENTO

Apesar da subida de preços acima do IPCA, segundo o Data Popular a população em geral não encara o custo da educação como mero gasto e sim como investimento – até mesmo pelo retorno financeiro esperado no futuro.

"Cada ano de estudo impacta em 15,7% a mais no salário médio dos brasileiros, ou seja, estudou mais, tem salário melhor", afirma Renato Meirelles. "Por mais que cada vez seja mais caro investir em educação, também é verdade que é um investimento com retorno garantido", diz Meirelles.

Fonte: Jornal do Commercio

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