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Polícia procura o “divulgador zero”

8 de agosto de 2013
A Polícia Civil recebeu ontem os cadastros dos 210 mil investidores da Priples. A lista é importante para averiguar várias suspeitas, uma das principais a de que a empresa usa "laranjas" não só para ocultar patrimônio, mas para esconder o real mentor do negócio. Se confirmada, significaria dizer que o jovem casal Henrique Maciel Carmo Lima, 26 anos, e sua esposa Mirele Pacheco de Freitas, 22 anos, respectivamente o dono da Priples e sua sócia, mandam na empresa só no papel. O real mentor seria o "divulgador zero" da rede, um desconhecido milionário, hoje misturado entre milhares de divulgadores da Priples.
 
Delegado responsável pelo caso, Carlos Couto afirma que não pode detalhar muito as próximas ações para não atrapalhar a investigação. Mas adianta. "Devemos abrir inquérito para apurar a responsabilidade de quem estava no topo da pirâmide, lucrou realmente muito e contribuiu para atrair mais pessoas para a rede", diz Couto. O crime seria o mesmo da Priples, crime contra a economia popular.
 
A importância do "divulgador zero" partiu do Ministério Público do Acre, no caso Telexfree – a suspeita é de que o mentor da empresa seria Sanderley Rodrigues, implicado em outras supostas pirâmides. Em entrevista ao JC publicada no último domingo, o diretor e sócio da empresa, Carlos Costa, nega enfaticamente a hipótese: Sanderley seria só mais um divulgador.
 
O que chama a atenção no caso Priples é a repentina guinada. O negócio que em quatro meses girou R$ 107 milhões, dos quais R$ 72 milhões bloqueados pela Justiça, há dez meses era uma endividada microempresa.
 
Apesar do saldo bancário gigantesco e carros de luxo como duas Range Rover e um Camaro apreendidos pela polícia, até o início deste ano, a Priples não existia: seu CNPJ era de uma locadora de veículos. Aberta em 2007 com o nome Evolution, depois trocado para Forteloc. Em 14 de setembro de 2012, a locadora ia tão mal que foi executada na Justiça pela Prefeitura do Recife por dívidas fiscais.
 
Em abril passado, como por mágica, Henrique e a jovem esposa, sem autorização de órgãos do sistema financeiro e logo após a crítica falta de dinheiro, mudaram a empresa para Priples, que prometia retorno de 60% ao mês em troca de taxa de adesão de R$ 100 a R$ 10 mil. Quem levasse mais gente para a rede lucrava mais, o início da meteórica expansão interrompida com a prisão do casal e a suspensão da empresa, há cinco dias. Falta descobrir o primeiro convocado, o "divulgador zero".
 
NOTA
Listada entre 40 propostas de negócios anunciadas a divulgadores de supostas pirâmides, a MonaVie enviou ontem nota ao JC. Informou estar presente em mais de 20 países e atuar no Brasil desde 2008, com cinco produtos nutricionais comercializados por vendas diretas. Parte da Associação Brasileira das Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), ela diz cumprir todas as obrigações legais.
 
"Ao contrário do afirmado na reportagem, na MonaVie não há compra mínima de produtos. Assim, causou estranheza para a MonaVie ter sido mencionada em uma matéria que tratou de empresas investigadas por supostas condutas ilegais, o que não é o caso da MonaVie", diz a nota da MonaVie. 

Fonte: Jornal do Commercio

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