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Votação expôs divisão no PSB

12 de outubro de 2016

A votação dos parlamentares do PSB na PEC 241, a do teto dos gastos públicos, mostra uma dissonância no pensamento dentro do partido. Dos 31 parlamentares, 21 votaram a favor da PEC e praticamente apenas os parlamentares de Pernambuco puxaram o voto contra a proposta, seguindo a orientação dada pela executiva estadual da legenda. O posicionamento da bancada nacional foi discutido em reuniões desde a semana passada. Parte dos deputados estava inclinada a votar contra a PEC, mas mudaram de ideia ao perceber que o governo federal não iria alterar o texto.

O PSB-PE queria que o teto de gastos fosse revisto na medida em que a economia do País apresentasse superávit. "Na hora que a gente viu que o governo não abria no prazo, não abria no arejamento, num gatilho mesmo na hipótese do superávit, não nos restou outra solução que não votar contra, mas sabendo que a medida é necessária, é indispensável", afirmou o deputado Tadeu Alencar, vice-líder da bancada. "Fernando (Bezerra Filho) votou, mas ele é ministro do governo Temer e seria estranho que ele, integrante direto do primeiro escalão do governo, votasse contrário".

"O partido teve quadros que entenderam que devia aprovar na forma que está, e outro conjunto, notadamente aqueles que tem uma relação mais orgânica e histórica com o PSB, fizeram questionamentos", analisou o deputado Danilo Cabral.

Da bancada socialista pernambucana, apenas os deputados Marinaldo Rosendo e Fernando Bezerra Filho foram favoráveis à PEC. Fernando, inclusive, foi exonerado do cargo de ministro de Minas e Energia para reforçar a bancada pró-Temer, junto com Bruno Araújo (PSDB), ministro das Cidades. Os dois "tiraram" os votos de dois suplentes socialistas Severino Ninho e Creuza Pereira, que já tinham se manifestado contra a PEC. Mesmo com uma vitória prevista, o presidente preferiu devolver à Câmara dois ministros para marcar seu território em relação do PSB, que adotou o posicionamento de independente no governo Temer, mesmo ocupando uma pasta estratégica e com boa parte dos seus parlamentares terem votado a favor do impeachment.

Na contramão do que divulgou o PSB-PE, cuja nota teve a anuência do governador Paulo Câmara, deputados pernambucanos de outros partidos que integraram a Frente Popular em 2014 foram favoráveis à PEC 241. Dos 17 parlamentares pernambucanos que apoiam o governador, excluindo-se os quatro socialistas, apenas Luciana Santos (PCdoB) e Wolney Queiroz (PDT) votaram contrários à PEC. Os dois pertencem a legendas que apoiaram a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). "Esses mesmo partidos que estão na Frente Popular também fazem parte do governo Temer", justificou Danilo Cabral.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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