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Você tem sede de quê?
18 de julho de 2010
Micheline Batista
michelinebatista.pe@dabr.com.br
O setor de bebidas é um dos que mais crescem em Pernambuco. Prova disso é a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que este ano deve dobrar em relação a 2007. Naquele ano foram arrecadados R$ 306 milhões e a previsão para 2010 é chegar perto dos R$ 600 milhões. Até junho, já foram arrecadados R$ 293 milhões, de acordo com dados da Secretaria da Fazenda (Sefaz). São mais de 150 indústrias produzindo água, refrigerantes, sucos, vinhos, cervejas e destilados. É a quarta maior fonte de arrecadação, ficando atrás apenas de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações.
Um dos fatores que vem contribuindo para esse crescimento, ao lado de uma política fiscal mais rigorosa, é a expansão do parque industrial no estado. Expansão motivada essencialmente pelo aumento no consumo de bebidas no Nordeste, puxado pela melhora na renda da população. Em junho, por exemplo, a AmBev anunciou que estaria construindo uma segunda fábrica no estado, desta vez no município de Itapissuma, Região Metropolitana do Recife. Um investimento de R$ 260 milhões para uma capacidade de até 10 milhões de hectolitros de cerveja e refrigerante.
Em abril, a Schincariol já havia anunciado um investimento de R$ 200 milhões até 2013 na ampliação de sua fábrica no Recife. Em março, foi inaugurada em Suape a expansão da Coca-Cola Guararapes, que custou R$ 50 milhões. “O setor de bebidas está crescendo muito e já tem uma participação muito expressiva na arrecadação de impostos”, comenta Antônio Flávio Lins, gerente em exercício do segmento de bebidas da Sefaz.
Mas o polo pernambucano não se resume a fábricas de bebidas. Existe toda uma cadeia estruturada, formada também por indústrias de latas, vidros, rolhas, rótulos e caixas. Importadoras trazem matérias-primas, como malte de cerveja e uísque. Um mercado que cresce os olhos da Rexam, por exemplo, líder na produção de latas de alumínio. Recentemente, a empresa anunciou investimentos de R$ 36 milhões a R$ 45 milhões para ampliar em 20% a capacidade de sua planta no estado. Por quê? Em 2009, o mercado de latas de alumínio cresceu 15% no Nordeste, e apenas 11% no Brasil.
Logística – “As empresas de bebidas têm preferido se instalar em Pernambuco por causa de sua posição logística. Daqui conseguem atender a todo o Nordeste, além de ficarem mais próximas de mercados como Europa e África”, diz o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas em Geral (Sindibebe-PE), Ricardo Heraclio.
Segundo ele, o polo pernambucano é um dos mais bem estruturados do país e cresce a taxas superiores a 20% ao ano. Para se ter uma ideia, no segmento de água mineral, Pernambuco é o segundo maior estado envasador do país, atrás somente de São Paulo. Essa indústria em constante expansão alimenta cinco fábricas de garrafões. “A Coca-Cola vinha para Pernambuco fazer água, mas o mercado aqui estava tão competitivo que ela decidiu ir para a Paraíba”, ilustra Heraclio.
Fonte: Diário de Pernambuco
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