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Vira ringue o debate do SBT

17 de outubro de 2014

No segundo debate entre os candidatos a presidente Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), realizado pelo SBT e retransmitido pela TV Jornal, ontem, o acirramento gerado pela disputa dos votos contaminou a discussão das propostas de governo. O desvio de verba da Petrobras foi novamente explorado pelo tucano que, pela primeira vez, acusou a adversária de nepotismo. Dilma contornou as investidas de Aécio, destacando pontos negativos da gestão dele em Minas Gerais. Após o debate, Dilma passou mal devido a uma oscilação de pressão. Segundo a assessoria, ela não havia se alimentado bem.

"Candidato, você está mentindo". Essa foi a frase mais repetida pelos dois presidenciáveis ao longo do debate. Empenhados em apresentar dados capazes de abalar a credibilidade das candidaturas, Dilma e Aécio protagonizaram um primeiro bloco de embate intenso.

O primeiro assunto colocado em pauta pelo tucano foi a corrupção da Petrobras, na qual o PT supostamente recebeu até 3% do valor dos contratos da estatal. "Ou a senhora foi conivente ou a senhora foi incompetente para tomar conta da principal empresa pública do País", afirmou Aécio. Dilma contra-atacou listando outros escândalos que envolveram o PSDB. "Vocês tem uma praxe: engavetam, escondem em baixo do tapete. Vocês chegaram a transferir um delegado", disparou a petista.

Na sequência, Dilma destacou que o seu governo atingiu uma taxa de 4,2% com gastos de servidores, acusou a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de não realizar concursos públicos e, por fim, reafirmou que Aécio beneficiou membros da sua família no geverno de Minas Gerais. Aécio alegou que a sua irmã ocupava um cargo voluntário no setor de comunicação do governo e, pela primeira vez, envolveu o nome de Igor Rousseff, irmão da presidente, revelando que, contratado pelo governador Fernando Pimentel (PT), nunca teria comparecido ao local de trabalho. "Agora nós sabemos por que a senhora disse que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que os seus auxiliares o fizessem", afirmou Aécio.

O segundo bloco foi aberto por Dilma, que retornou ao caso da Petrobras ao ressaltar o novo depoimento do delator Paulo Roberto, no qual ele assegura que o ex-deputado federal Sérgio Guerra (PSDB) também recebia propina. "O senhor não pode apontar o dedo só para um partido, aponte para todos", disse Dilma. Apesar do falecimento do parlamentar, Aécio defendeu a investigação da acusação.

Apenas ao chegar ao tema da segurança pública, algumas propostas foram apresentadas. "O contigenciamento dos recursos da segurança pública tem impedido vários Estados de avançarem no combate à criminalidade", disse o tucano. Ele defendeu a intensificação do controle das fronteiras e a mudança na relação com países vizinhos onde há produção de drogas. Dilma assegurou que, caso seja reeleita, a participação da União nas políticas de segurança dos Estados será ampliada.

Para constranger o adversário, a presidente Dilma perguntou qual era a opinião dele sobre a Lei Seca. Aécio antecipou-se e admitiu que foi parado por uma blitz com a carteira de habilitação vencida, no que demonstrou indignação. "Não é possível que a senhora queira fazer a campanha mais baixa da nossa história", disse. Ao final, Dilma reforçou a denúncia sobre a construção de um aeroporto na propriedade de um tio de Aécio em Cláudio (MG). "Colocar um aeroporto privado, feito com dinheiro público, na fazenda de um tio. Isso não se faz, candidato, isso é feio", disse Dilma.

Fonte: Jornal do Commercio

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