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Via para desafogar a Madalena

22 de janeiro de 2014

Em franca expansão, o bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife, vai ganhar, até o final do mês que vem, um reforço no seu sistema viário, com a abertura de duas ruas marginais ao Canal do Valença, entre a Avenida Caxangá e a Rua José Osório, grandes corredores de tráfego da área. O trecho – complementação da Rua João Crescêncio – é pequeno, cerca de 200 metros, mas possibilita uma nova comunicação entre as ruas internas dos bairros da Madalena, Cordeiro, Torre e adjacências, cuja ligação é basicamente feita pelos principais corredores.

As obras fazem parte do projeto de requalificação do canal e estavam paradas desde outubro, sendo retomadas agora pela Empresa de Urbanização do Recife (URB). O diretor de Engenharia do órgão, Vincente Perrusi, alega que houve dificuldades na liberação dos recursos federais e imprevistos técnicos. "A Caixa Econômica fez algumas exigências, precisamos alterar o projeto e também encontramos um solo muito mole no local, mas essas pendências já foram resolvidas", declarou.

Contudo, o projeto é ainda mais amplo: inclui outro trecho de aproximadamente 250 metros após cruzar a Rua José Osório até a Rua Estácio de Sá, sem prazo de conclusão. "Há resistência com uma desapropriação, mas estamos negociando e acredito que logo vamos poder iniciar a próxima etapa", diz Perrusi.

Sem esse trecho, é possível fazer a ligação pela marginal existente, a Engenheiro Leonardo Arcoverde, hoje funcionando em mão dupla (inclusive com estacionamento), embora não seja o ideal. "Ainda não recebemos o projeto para definir a circulação, mas acredito que o tráfego das vias locais vai melhorar, sobretudo no sentido da Caxangá para a Torre. A circulação dos grandes corredores também vai ficar aliviada com o Túnel da Abolição, previsto para março, que vai permitir seguir direto pela Rua Real da Torre até cruzar a Abdias de Carvalho", observou o gerente-geral de Trânsito da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), Agostinho Maia.

O investimento na requalificação do canal é de R$ 1,9 milhão, recursos do PAC Drenagem. Para viabilizar a obra, 23 imóveis foram desapropriados, ao custo de R$ 2,2 milhões.

EXPECTATIVA

No local, o clima é de expectativa. "Os alagamentos já melhoraram bastante e ficou bom para estacionar por aqui, mas precisam terminar o serviço. Muito material deixado na rua foi roubado", contou o vigilante Fernando Farias, 57 anos, que mora e trabalha na área. Gerente de uma concessionária que fica na esquina do canal, Marcos Ribeiro, 42, não vê a hora de as ruas serem pavimentadas, pois alega que a poeira os obriga a lavar os carros o tempo inteiro. "E fica difícil tirar os veículos da empresa com o tráfego como está", afirmou.

Residente no último trecho do canal, a auxiliar administrativa Marli de Aquino, 42, disse que a família vive na expectativa de a obra ser concluída. "Minha família quer ampliar a casa, mas disseram que o imóvel poderia precisar sair", declarou. Segundo ela, as melhorias já são visíveis para os pedestres. "Antes eu passava por uma viela quando ia e voltava do trabalho, dava medo, agora ficou muito melhor. Mas está difícil atravessar a Caxangá", reclamou ela.

A requalificação do Valença faz parte do projeto Canais do Recife, apresentado em 2010 e reapresentado em 2011, abrangendo 16 canais, dos quais apenas dois foram concluídos e muitos não saíram do papel, embora tivessem prazo de um ano. O investimento total é de R$ 95,3 milhões.

Fonte: Jornal do Commercio

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