Que o empréstimo consignado é o dinheiro mais barato ofertado pelos bancos, ninguém duvida. O problema é a desinformação da maioria das pessoas sobre o uso correto do crédito. Uma fisgada de até 30% no contracheque somente para pagar a dívida do financiamento. O risco é ainda maior para os aposentados e pensionistas, cujo benefício previdenciário é insuficiente para bancar as despesas crescentes com saúde e alimentação. De olho neste público, a consultoria DSOP de Educação Financeira preparou uma cartilha com dicas para o uso consciente do crédito.
Três perguntas básicas devem ser feitas antes de buscar o crédito consignado. São elas: por que eu preciso de dinheiro? Eu preciso mesmo pegar o empréstimo? O crédito vai melhorar a minha vida? “Em geral, as pessoas estão informadas como chegar no empréstimo consignado, mas não sabem como melhor utilizar o dinheiro”, destaca o consultor financeiro da DSOP, Reinaldo Domingues.
Domingues chama a atenção para o uso consciente do dinheiro. Ele não recomenda pegar o crédito consignado para cobrir o cheque especial ou sair do rotativo do cartão de crédito. Se o objetivo é contratar um empréstimo para pagar dívidas, é melhor sentar com os credores para renegociar as pendências. Outra dica preciosa é fazer uma faxina financeira no orçamento para não voltar ao caminho do endividamento.
Comprometimento
O consultor financeiro lembra que, ao contratar um empréstimo, pelo menos 30% da renda mensal poderá ficar comprometida no mínimo durante três anos. Nem sempre as pessoas têm consciência do tempo que vai levar para quitar a dívida e, o pior, subtrair dinheiro do orçamento. “Os aposentados e pensionistas são mais vulneráveis porque têm os benefícios achatados e estão no limite das despesas. É uma proposta covarde a oferta de crédito fácil para esse público”, salienta.
Na maioria das vezes, o aposentado toma o empréstimo no banco onde recebe o benefício e não pesquisa as taxas de juros de outras instituições financeiras. Aí é que mora o perigo. Os juros são baixos, mas podem fazer um estrago ao longo do tempo no orçamento familiar. Veja a simulação preparada pela DSOP. Ao contratar um empréstimo no valor de R$ 1 mil, pelo menos um quarto (R$ 250) será destinado ao pagamento de juros a cada ano. Em quatro anos, equivale ao valor da dívida.
Reinaldo diz que o consignado pode até ser bom para as pessoas quando o custo-benefício vale a pena. Como fazer esta conta? O consultor explica que o crédito bom é aquele usado para comprar algo que aumente a produtividade e a renda mensal. Se for apenas para consumir e pagar dívidas, é melhor evitar o empréstimo. “Se o dinheiro emprestado vai agregar valor à sua vida no futuro, contrate o crédito”.
SAIBA MAIS
Antes de tomar qualquer crédito, é importante conhecer a sua real situação financeira
Lembre-se que o crédito consignado deverá reduzir em até 30% o seu ganho mensal diretamente
Evite tomar crédito consignado para trocar um credor por outro sem descobrir a vedadeira causa do problema financeiro
A utilização da linha de crédito consignado deve ser pontual para um objetivo relevante
Não empreste o seu nome a terceiros para a contratação do empréstimo consignado porque esse procedimento é prejudicial a todos
Antes de contratar o consignado, faça uma boa reflexão e analise se este valor não fará falta aos seus compromissos mensais
Caso encontre taxas de juros mais baixas após fechar o contrato com o banco, avalie a possibilidade de fazer a portabilidade do crédito
Fonte: Diario de Pernambuco