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Um partido e um discurso órfãos do líder

15 de agosto de 2014

A morte precoce de Eduardo Campos não deixou órfãos apenas os cinco filhos do ex-candidato do PSB ao Palácio do Planalto. A queda do avião em Santos (SP) representa um baque no discurso de renovação da política brasileira, priva o PSB do seu principal nome — responsável pela coesão e pela ascensão política do partido no cenário nacional —, e deixa um vácuo de liderança política em Pernambuco, o sétimo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 6,5 milhões de eleitores.

Paradoxalmente, o mesmo personagem político que encarnava, no imaginário popular, a representação concreta de uma nova forma de fazer política, acabou atuando de maneira centralizadora em sua trajetória, reforçando o sentimento de orfandade que agora domina as pessoas próximas a ele. “Exceção feita aos dois ex-presidentes Lula e FHC, nenhum político atual tinha uma capacidade de prever situações, montar cenários e articular ideias e propostas como Eduardo”, compara Carlos Mello, cientista político e professor do Insper.

Ao longo da atual campanha, Eduardo criticava arduamente a atual gestão da presidente Dilma Rousseff, mas fazia questão de pontuar os avanços alcançados pelo país nos governos Lula e FHC. “Ele era um líder extremamente inteligente, com uma visão de Brasil e com a capacidade de ressaltar tudo de bom que aconteceu no Brasil nesses últimos 20 anos”, declarou o senador e candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB, Rodrigo Rollemberg.

Ele destacou que, no atual front em que a batalha política se desenvolve, são raros os personagens que focam a disputa apenas no campo das ideias, sem resvalar para as questões pessoais. Essa qualidade de Eduardo já tinha sido destacada por FHC, que ressaltou a ausência que o socialista fará ao debate. 

Eduardo também fará falta ao PSB, que perde seu maior expoente. “Ele era uma liderança nata, que aglutinou o partido”, disse Rollemberg. “Não temos alguém, em nossos quadros, com a capacidade de liderança, de definição de rumos e diretrizes como ele”, elogiou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Como presidente do partido, Eduardo conduziu com maestria – em vários momentos, com mão de ferro – os caminhos percorridos pela legenda que herdou do avô, Miguel Arraes.

Fonte: Diario de Pernambuco

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