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Um ano depois, Barbosa leva a chave do cofre

19 de dezembro de 2015

Desde que assumiu o Planejamento, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o ministro Nelson Barbosa sempre sonhou com a chave do cofre. Um ano depois, realizou seu maior desejo ao ser anunciado, ontem, como o novo ministro da Fazenda, substituindo Joaquim Levy, que saiu pela porta dos fundos. No seu lugar, no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, assumiu Valdir Moisés Simão, ex-ministro da Controladoria Geral da União.

Sempre pairou sobre Barbosa a desconfiança do mercado porque, em todos os embates com Levy, ficou claro que o ajuste fiscal não era sua prioridade. Tanto é assim que o governo tomou o cuidado de confirmar o nome do novo ministro da Fazenda depois do fechamento dos pregões. Uma precaução justificada. Barbosa é visto como o responsável pelo rebaixamento da nota do Brasil por parte de duas agências de classificação de risco, a Standard & Poor's e a Fitch Ratings, com a perda do grau de investimento.

A mudança por parte da Fitch, na semana passada, veio depois de Barbosa defender um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) com flexibilidade – o termo causa repugnância entre investidores, sobretudo quando se lembram de que o governo começou 2015 com uma meta de superávit de 2% que acabou progressivamente transformada em um déficit de 1,19% do PIB. A chamada banda, no entanto, não foi aprovada pelo Congresso.

Ontem, em sua primeira aparição pública como ministro da Fazenda, às 19h20 (hora de Brasília), Nelson Barbosa procurou desfazer a péssima impressão que o mercado tem dele. Destacou a importância das medidas de ajuste, sem esquecer, porém, de tentar apresentar um horizonte positivo, algo que, segundo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parlamentares do PT, faltava a Levy. “Estamos em fase de transição na economia brasileira para o novo ciclo de crescimento. Essa fase passa pelo equilíbrio fiscal. Somente com estabilidade fiscal vamos ter crescimento sustentado”, afirmou.

Barbosa minimizou os efeitos do rebaixamento pelas agências. “Grau de investimento é resultado. Creio que com o controle da inflação e a retomada do crescimento, o grau de investimento virá como consequência”. Ele também ressaltou a autonomia do Banco Central na condução da política monetária “para trazer a inflação para o centro da meta”.

O novo ministro citou a cooperação entre ele e Levy ao longo deste ano, com a apresentação de “várias medidas de ajuste fiscal que estão em curso”, mas não se preocupou em elogiar o trabalho do antecessor. Levy embarcaria ontem para São Paulo e neste fim de semana deverá se encontrar com a família nos Estados Unidos. Não participará da posse oficial de Barbosa, na segunda-fceira, a menos que haja alguma mudança de planos. O que não surpreende. Os dois nunca se entenderam, mas Barbosa sempre desconversou sobre as diferenças com Levy (Colaborou Paulo de Tarso Lyra).

Fonte: Diario de Pernambuco

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