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Treinamento muda face do serviço público
26 de outubro de 2008Carla Seixas
cseixas@jc.com.br
Sinônimo de garantia de renda para o resto da vida, o emprego público também já foi – e ainda é em muitos casos – identificado pela má qualidade do trabalho e pela falta de comprometimento daquele que está na folha salarial quitada graças aos impostos pagos pela sociedade. Mas, nos últimos anos, percebe-se o início de um novo conceito: o de profissionalizar as gestões e imprimir na iniciativa pública um ritmo que, ao menos, assemelhe-se ao da enxuta estrutura do ente privado.
As ações ainda estão distantes do ideal, mas medidas como associar o desempenho na função e o interesse em participar de cursos às promoções vem sendo adotadas. O governo federal, por exemplo, criou, durante as negociações salariais deste ano, 20 grupos de trabalho que vão elaborar sistemáticas de avaliação de desempenho associadas às estruturas de remuneração. O valor concedido ficará condicionado também a obtenção de resultado do órgão. Com R$ 155,3 bilhões, a folha do servidor federal representa 4,87% do PIB.
Em Pernambuco esse movimento também é tímido, mas já dá sinais de existência. O Detran e a UPE atrelam ganhos maiores nos planos de cargos e carreiras à qualificação somada no currículo. “No caso do Detran, o funcionário pode elevar em até 15% a remuneração se tiver feito capacitação. Mas, realmente, ainda são poucos os órgãos com esse referencial”, admite o secretário de Administração do Estado, Paulo Câmara. Em seguida, ele afirma que a idéia é já definir para os futuros servidores planos de carreira que condicionem a remuneração ao desempenho e ao interesse em se atualizar. “É o caso dos analistas de gestão que devem ser contratados. Já haverá o atrelamento entre o plano de cargos e carreiras e a qualificação”. Câmara admite que Estados como Minas já estão mais adiantados no atrelamento entre treinamento e salário. Mas é notório perceber que há mudança. O problema é o ritmo.
A grande massa dos 105 mil servidores da ativa ainda não tem acesso a qualquer tipo de associação entre a competência do trabalho realizado e a renda recebida. É o caso da técnica de nível superior da Secretaria de Transportes Ana Paula Oliveira Valença, 44 anos e formada em arquitetura. “Já fiz uns sete cursos de 2000 até agora. Sempre tive muito medo da rotulação do servidor público e, por isso, me mantive estudando”, confessa. Ela aprova a iniciativa de ofertar de cursos, mas admite que apenas nos últimos anos isso está sendo aplicado. “Muitos servidores sequer tomam conhecimento dos cursos ofertados”, diz. Ana Paula – que já exerceu várias funções dentro do Estado ao longo dos 20 anos de atuação – confessa que ainda não viu no contracheque o reflexo do investimento feito depois de tantos cursos.
Fonte: Jornal do Commercio
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