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Trabalho remoto, tarefas domésticas e cuidados com os filhos exigem ainda mais das mães

17 de agosto de 2020

São cinco meses de uma rotina exaustiva. Desde março, quando as aulas e a maioria dos trabalhos presenciais foram suspensas devido à pandemia do novo coronavírus, as demandas de mulheres que são mães aumentaram exponencialmente.

O trabalho remoto, somado às tarefas domésticas e aos cuidados com os filhos em tempo integral têm causado sobrecarga e as consequências já são sentidas na saúde mental e emocional das mães. Gleyce Regina da Silva, 29 anos, é mãe de quatro filhos, com idades entre três e 10 anos. Dois deles, o mais velho e o mais novo, vivem com ela e o marido no Jardim Jordão, na Zona Sul da capital. Antes da pandemia chegar ao Estado, ela trabalhava como designer de sobrancelhas, mas a atividade, que exige proximidade, teve de ser suspensa para evitar a disseminação da doença.

Gleyce, então, precisou se reinventar. Sem conseguir acesso ao auxílio emergencial, ela aprendeu a confeccionar laços decorativos para vender e poder garantir o sustento da casa. Agora, Gleyce se divide entre o novo emprego, as tarefas da casa e a atenção aos filhos. Juan, 3, estuda em uma escola particular e está tendo aulas remotas.

Já Gabriel, 10, é aluno da rede pública e está sem aulas. “É difícil, porque preciso olhar todos eles, ensinar as tarefas, cuidar e fazer todo o resto sozinha, porque meu marido trabalha. É bem cansativo o dia com eles em casa”, desabafa. Tudo isso ainda se soma à preocupação financeira. “O mais complicado, para mim, foi arrumar uma maneira de ter renda. As coisas ficaram muito difíceis. Isso acaba afetando o psicológico. Fico muito estressada”, conta.

A situação de Gleyce não é isolada. A questão financeira tem sido a preocupação de grande parte das mulheres, principalmente daquelas que são mães solo e criam os filhos sem uma rede de apoio. “Muitas mães me procuram, falando que estão passando por problemas financeiros. Várias delas tinham algum trabalho informal e tiveram que parar devido ao coronavírus. O auxílio emergencial também não chegou para uma grande parte dessas mulheres, o que dificultou ainda mais a situação”, conta Marli Silva, presidente da Associação Pernambucana de Mães Solteiras (Apemas).

A preocupação e a sobrecarga trazidas pela nova realidade já tem mostrado efeitos na saúde mental das mães. De acordo com uma pesquisa realizada pela Catho, empresa especializada em empregos, com 7 mil mulheres, 60% das mães sentiram os impactos emocionais do isolamento social. Do total de entrevistadas, 79% relataram sentir sintomas de ansiedade. Entre os sinais mais frequentes estão estresse (49,5%), cansaço mental (48%), desmotivação (44,5%), perda de sono (44,5%), tristeza (43%), solidão (17,5%) e depressão (14%).

O levantamento mostra ainda que 42,5% das mulheres têm dificuldade em conciliar isolamento social e saúde mental, 40,5% acham difícil conciliar trabalho, tarefas domésticas e filhos e 23% reclamam de falta de concentração para as atividades profissionais. Psicóloga clínica e professora da Universidade Tiradentes (Unit), Giedra Hollanda afirma que a procura clínica aumentou. “Já ouvi algumas se queixando que se sentem sugadas, que a situação é enlouquecedora”, projeta Giedra, que é especialista em Infância e Adolescência.

ATIVIDADE FÍSICA

Segundo a psicóloga, o estresse pode ser diminuído com algumas práticas, como exercícios físicos. “Isso ajuda na regulação hormonal. Quando a pessoa está ansiosa, está encharcada de adrenalina e noradrenalina. Quando alguma atividade física é realizada esses níveis abaixam e a dopamina e serotonina, responsáveis pelo relaxamento e prazer, são liberados. Além do exercício, outra dica é buscar atividades de meditação e mindfullness. A internet está cheia de tutoriais e profissionais que estão atendendo online”, sugere.

A falta da rotina de exercícios foi o fator mais estressante da nova rotina da oficial de Justiça Deborah Hulak, 52. “Não poder estar praticando  minhas atividades físicas foi a coisa que mais me incomodou. Aos poucos, consegui continuar me exercitando dentro de casa, com limitações, utilizando o espaço que temos, como a varanda do apartamento”.

Deborah, que tem uma filha de 28 anos, vive sozinha com Sophia, a filha mais nova, de nove anos, nas Graças, Zona Norte do Recife. Para ela, além dos desafios, a pandemia também trouxe uma proximidade maior com a filha. “Também teve o seu lado bom. Nossa rotina, que sempre é muito intensa, não permite que a gente tenha esse tempo todo de convívio. Eu acho que favoreceu a nossa relação. Estamos muito mais próximas”, pontua. 79% das mulheres que são mães apresentam sintomas de ansiedade, de acordo com pesquisa

49,5% das mães relataram sentir estresse durante o período de quarentena em casa com os filhos Segundo especialista, estresse pode ser diminuído com algumas práticas, como exercícios físicos.

Fonte: Jornal do Commercio

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