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Terceira dose já em estudo
18 de agosto de 2021Enquanto a terceira dose de vacina já é uma realidade em partes do mundo, o Brasil avança em estudos do tipo – comandados pelo Ministério da Saúde e por farmacêuticas – para determinar quais grupos seriam beneficiados com a aplicação extra de imunizantes contra a covid-19. Já foram iniciados estudos que englobam o Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Os estados do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul devem ter as aplicações, com a vacina de Oxford/AstraZeneca, em agosto e setembro, respectivamente.
O mais recente deles começou as aplicações em Salvador (BA) e São Paulo (SP), na segunda (16) e terça-feira (17), respectivamente. Trata-se da análise capitaneada pelo Ministério da Saúde para avaliar o uso de terceira dose em brasileiros previamente vacinados com duas aplicações da vacina CoronaVac.
Para o reforço, serão utilizadas todas as vacinas disponíveis no Programa Nacional de Imunização (PNI): Janssen, Pfizer, AstraZeneca e, por fim, a própria CoronaVac. Serão 1,2 mil participantes divididos nas duas localidades. O estudo é coordenado pela pesquisadora da Universidade de Oxford, Sue Ann Costa Clemens. Os resultados devem ser conhecidos até o fim deste ano, como forma de balizar as decisões do Ministério da Saúde sobre o tema no ano que vem.
“O próximo ano de imunização tem que ter uma estratégia desenhada com evidências científicas”, explicou Clemens. A pesquisadora também comanda o estudo com a terceira dose da AstraZeneca no país.
A análise da terceira dose da AstraZeneca/Oxford está em andamento com os mesmos participantes do estudo de fase III do imunizante no Brasil. A etapa é considerada uma continuidade do estudo e contará com um intervalo entre 4 mil e 4,6 mil participantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. Os dois últimos estados ainda não iniciaram as aplicações.
As aplicações são dedicadas a pessoas vacinadas, inicialmente, com o imunizante num prazo de 11 a 13 meses. As últimas aplicações devem ocorrer até 31 de outubro, explicou Clemens.
Um terceiro estudo no País, o da Pfizer, já concluiu as aplicações em julho. Os voluntários devem ser acompanhados por um ano. Foram 443 participantes no centro clínico do Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador (BA), e 442 participantes no Centro Paulista de Investigação Clínica e Serviços Médicos (Cepic) em São Paulo (SP). Os vacinados receberam a terceira aplicação do mesmo imunizante que iniciaram seu esquema vacinal, o da farmacêutica americana.
ADOLESCENTES
Enquanto os pesquisadores estudam a necessidade ou não de uma dose de reforço, o Brasil continua avançando no plano de imunização. Pelo menos nove capitais já iniciaram a vacinar adolescentes. A convocação se deve após a imunização dos adultos com a 1ª dose. São Paulo começa nesta quarta (18) a imunizar quem tiver 16 ou 17 anos e alguma comorbidade. Campo Grande, Boa Vista, Macapá, Rio Branco e Manaus também aplicam doses nos menores de idade. Distrito Federal, São Luís e Porto Alegre imunizaram adolescentes com comorbidade neste mês, mas ainda não fizeram novas convocatórias.
Entre as comorbidades previstas nesta fase da campanha de São Paulo estão diabete, insuficiência cardíaca, síndrome de Down e obesidade mórbida. Jovens grávidas e puérperas também podem ir aos postos.
Outras capitais, porém, devem alcançar a vacinação desse público nos próximos dias. O Rio se concentra até dia 20 no público acima dos 18 anos. Há ainda cidades que demorarão a concluir a campanha nos adultos, como Teresina, que convoca o público de 31 anos.
Para vacinar adolescentes, as prefeituras têm de obedecer à liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite apenas o uso do imunizante da Pfizer para ser aplicado neste público. Ainda não há vacinas aprovadas para crianças.
No Rio, há mais idosos internados
Novo estudo da Fiocruz revela que estão subindo os indicadores de casos e mortes pela covid-19 entre idosos no Rio de Janeiro. O número de pessoas com mais de 80 anos internadas no Estado atingiu o maior patamar desde o início da pandemia: 848 em uma semana, com 175 mortos.
É a primeira vez, desde fevereiro, que a quantidade de mortos pela doença aumenta entre as pessoas com mais de 60 anos. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio contabiliza alta de 10% nas hospitalizações, em todas as faixas etárias, e já reabre leitos covid que haviam sido fechados.
A Fiocruz ainda estão trabalhando nos dados de São Paulo. Mas a tendência de aumento de casos e mortes entre idosos é similar à do Rio.
Segundo os pesquisadores, três fatores podem explicar a escalada da covid entre os idosos. Um é o relaxamento das medidas restritivas e o outro é a perda gradativa da proteção vacinal entre os mais velhos – os imunizantes previnem contra casos graves de covid-19, mas não eliminam completamente esse risco, sobretudo nos grupos mais vulneráveis.
FATOR DELTA
Outro problema é a variante Delta, mais transmissível, que se espalha com rapidez no Rio. Segundo a Universidade Federal do Rio (UFRJ), essa cepa já origina por 56,6% dos casos – pelo menos dos sequenciados geneticamente. O prefeito Eduardo Paes disse que o Rio é o “epicentro” da Delta no País.
“O que temos por enquanto são hipóteses”, frisou Leonardo Bastos, que participou do levantamento. “Mas houve relaxamento das medidas restritivas e um aumento da transmissão do vírus. Além disso, as vacinas não são 100% efetivas, e o vírus chega às pessoas. Há perda da imunidade da vacina, principalmente no pessoal que já tomou as duas doses há mais de seis meses”, acrescenta ele, lembrando também da Delta.
Para o pesquisador Marcelo Gomes da Fiocruz, que também participou do levantamento, o aumento do número de casos não significa que as vacinas sejam ineficazes. “Se não tivesse a vacina, esses números seriam ainda maiores”, afirmou o pesquisador. “Se a gente reduz as medidas de restrição, facilita a transmissão do vírus e acaba afetando também a população já vacinada”, adverte. E acrescenta: “Junte-se a isso uma variante mais transmissível, e temos um cenário preocupante.”
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou ontem que já reabriu 60 leitos da rede municipal para covid-19 que haviam sido fechados. “A gente já tinha a expectativa de um aumento no número de casos de covid no inverno, que é uma época de maior número de doenças gripais, mas tivemos outro fator agravante, que é a entrada da Delta”, afirmou Soranz.
De acordo com a secretaria, 93% dos idosos já estão vacinados com as duas doses. O governo do Estado e a Prefeitura já avaliam a possibilidade de uma terceira dose de reforço para os maiores de 60 anos.
“Se a perda da imunidade for confirmada, então teremos que vacinar o pessoal mais velho, não tem jeito”, disse Leonardo Bastos. “Mas isso ainda não está totalmente estabelecido”, acrescenta.
Fonte: Jornal do Commercio
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