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Sulanqueiros discutem formalização
17 de abril de 2013Os empresários do polo de confecções de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, devem se reunir hoje para discutir os problemas de informalidade no setor. O encontro promovido pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio acontece exatamente uma semana depois que a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-PE) tentou realizar uma operação de fiscalização na cidade. A ação foi abortada, no último sábado, depois que alguns comerciantes e moradores atearam fogo em pneus na PE-160, impedindo que os quase 20 auditores checassem as notas fiscais dos produtos que estavam sendo levados para o Moda Center.
O prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieira, justificou a reação da população à fiscalização da Receita Estadual, no centro de compras, afirmando que uma semana antes um acordo com o vice-governador de Pernambuco, João Lyra Neto, dava aos empresários do polo de confecções da cidade um prazo para que os trabalhadores regularizassem a situação. E que até o dia 31 de maio não haveria nenhuma ação fiscalizadora.
“Todos foram pegos de surpresa. Sabemos que o Governo está querendo regularizar os trabalhadores, e nós também queremos”, afirmou Edson Vieira. “Ainda esta semana vamos à Fazenda para saber o que houve”, completou o gestor.
O síndico do Moda Center, Valmir Ribeiro, classificou como “estranha” a ação da Sefaz-PE e lamentou o clima de apreensão instalado entre os comerciantes, que já vêm sofrendo com a seca e a queda no movimento das vendas. “A fiscalização veio na hora errada. Todo mundo sabe que aqui tem muita sulanca, portanto as pessoas não têm como ter nota fiscal. O Governo tem que entender que é assim há 40 anos”, declarou. “Estamos fazendo a nossa parte, incentivando a formalização, mas precisamos ter um mínimo de infraestrutura com telefone e internet até para o trabalho dos órgãos”, acrescentou Ribeiro.
Por meio da assessoria de Comunicação, a Sefaz-PE informou que “o órgão vem atuando em parceria com o segmento para a regularização dos contribuintes, e que a ação do último sábado teve a intenção de fazer o levantamento da situação para que, a partir daí, a Receita Estadual pudesse atuar em prol da formalização dos trabalhadores do polo”.
Entretanto, fontes ligadas à Sefaz-PE informaram à reportagem que essa foi a segunda vez que moradores e comerciantes de Santa Cruz do Capibaribe impediram o trabalho dos auditores da secretaria, postura que eles classificam como apologia à sonegação fiscal, uma vez que o Estado não pode cumprir seu papel fiscalizador e garantir a concorrência leal do polo de confecções.
Fonte: Folha de Pernambuco
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