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Soma representa 3% da arrecadação
27 de dezembro de 2009
Diante da arrecadação total do estado de Pernambuco, o valor recuperado em débitos fiscais pela PGE pode parecer pouco (representa cerca de 3% da arrecadação anual). Entretanto, se pensarmos que estes valores pagos vão para a Conta Única do Estado e serão usados em áreas como educação e saúde, o percentual não pode ser considerado irrelevante. O total dos débitos é superior à soma do que o governo estadual destinou para educação (R$ 2 bilhões), saúde (R$ 2,6 bilhões) e segurança pública em 2009.
“A receita tributária de Pernambuco é de cerca de R$ 7 bilhões por ano. Pensar que o passivo de débitos é de R$ 9 bilhões, é considerar que a dívida equivale a um ano de arrecadação. Se o estado não se mobilizar para recuperar estes recursos com agilidade, muito dinheiro pode se perder”, analisa a presidente do Instituto Pernambucano de Estudos Tributários (Ipet) e sócia da Queiroz Advogados Associados, Mary Elbe Queiroz.
Mary Elbe cita o exemplo da dívida ativa federal, calculada em cerca de R$ 1 trilhão, para ressaltar a importância de recuperar estes débitos. “Essa dívida significa que o estado precisa ter essa arrecadação por ano, para compensar o imposto de quem não paga. Um valor muito alto; quase um PIB (Produto Interno Bruto) do país que não é arrecadado. Por isso, medidas que permitam o parcelamento são importantes, por darem a possibilidade de os devedores que não pagaram por estarem em dificuldades poderem ficar em dia e seguirem suas atividades”, explica a advogada tributarista.
Ela considera uma questão de justiça fiscal a cobrança dos débitos, pois evita que os contribuintes em dia sejam prejudicados com o aumento da carga tributária, e lembra que o brasileiro mais pobre acaba pagando mais impostos proporcionalmente. “Quem ganha até dois salários mínimos, paga 53,9% do que ganha com impostos indiretos, enquanto para quem ganha acima de 30 mínimos, esse percentual cai para 29%”, diz.
Em Pernambuco, segundo dados da Procuradoria Geral do Estado, a maior parte da dívida ativa está concentrada em usinas açucareiras e no setor de atacado de alimentos. Muitos dos débitos recuperados de 2007 para cá, além de valores elevados, tinham cerca de 20 anos.
“Não tem coisa que agrida mais a cidadania do que uma ação ineficaz na cobrança de impostos. Todos estão submetidos à mesma carga tributária, mas o cidadão que cumpre o seu dever se sente injustiçado pelo devedor. Por isso colocamos a recuperação de débitos como prioridade. Uma cobrança eficiente também é educativa”, atesta o procurador-geral, Tadeu Alencar.
Fonte: Diário de Pernambuco
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