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Sobra vontade e falta preparo

20 de julho de 2014

Trabalhar mais, poupar, ter um plano B. Esta é a receita do brasileiro para fazer a transição para a aposentadoria. Pesquisa da Mongeral Aegon “A nova cara da aposentadoria”, aplicada em 15 países, revela que o trabalhador se diz preparado para a vida após os 60 no Brasil. O contrassenso é que as pessoas pouco se movimentam para viabilizar o novo projeto de vida. A falta de dinheiro é o principal entrave apontado para poupar e ter uma renda extra no futuro. Por outro lado, a desinformação do empregado e o desestímulo do empregador para subsidiar planos alternativos de previdência são os fatores que impedem a formação de um lastro financeiro.

Iara Pereira da Silva tem 50 anos e 29 anos de contribuição previdenciária. No próximo ano ela pode se aposentar. Assim como a maioria dos brasileiros, Iara não preparou a transição para a aposentadoria. Ela sabe que terá perdas financeiras e dificuldade de fechar o orçamento. A alternativa é esticar mais cinco anos no batente, e depois ter uma atividade profissional extra. “Eu pretendo continuar trabalhando, se possível um expediente, para ter as duas rendas”, conta. Ela planeja no futuro ter mais tempo para as atividades mais prazerosas, como viajar.

O estudo da Mongeral Aegon envolveu 16 mil pessoas, incluindo aposentados e pessoas prestes a se aposentar nos continentes. Pela primeira vez, a amostra incluiu o Brasil. Os trabalhadores dos países europeus (entre eles, Alemanha e França) e dos orientais (entre eles Japão e China) são os mais preocupados com a aposentadoria. Temem a falta de dinheiro para sobreviver quando deixar o emprego. “Eles veem que o sistema de aposentadoria não vai conseguir atender o incremento de pessoas aposentadas nos próximos anos”, aponta Andrea Levy, assessor especial da Mongeral Aegon.

De acordo com a pesquisa, o índice de preparo para a aposentadoria no Brasil é de 6.8, numa escala de 0 a 10. É o segundo melhor do mundo. Só perdemos para a Índia, cuja nota aferida pelo estudo é 7. Levy atribui o otimismo à atual situação econômica do país. Mesmo com a projeção de baixo crescimento econômico e inflação em alta, há oferta de emprego e renda. “Por natureza, o brasileiro é otimista. Acha que existe sempre a possibilidade de melhorar”. O lado preocupante, segundo o especialista, é que poucos têm uma alternativa concreta para o futuro. Muitos apontam um plano B, como abrir um negócio, mas não sabem como viabilizar.

Antes uma tendência dos países europeus, a vontade de se aposentar e continuar no batente é apontada por 24% dos brasileiros próximos à aposentadoria. O fator renda é preponderante para ficar mais tempo no emprego. Pelo menos 51% dos entrevistados pretendem continuar em atividade, em tempo parcial ou períodos temporários.

Fonte: Diario de Pernambuco

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