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Selic deve ter nova alta para conter inflação
24 de dezembro de 2015BRASÍLIA – Dois dias após a presidente Dilma Rousseff pedir à nova equipe econômica para fazer o que for preciso para retomar o crescimento, o Banco Central afirmou ter um só mandato: assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda.
De acordo com cálculos do BC, a inflação no próximo ano deve bater em 6,2%, mas há 41% de chances de ultrapassar o teto da meta, fixado em 6,5%. Se isso ocorrer, será o segundo ano consecutivo de descumprimento da meta – a inflação será de 10,8% neste ano, segundo projeção da entidade.
Ao apresentar os números ontem (23), o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, afirmou que a instituição pode elevar os juros em 2016 para evitar que isso ocorra, mesmo diante do aumento do desemprego e da queda na atividade econômica. Altamir afirmou que a inflação é tão ruim ou pior que esses problemas, pois é um dos principais fatores que derrubaram os investimentos e o consumo, impedindo a recuperação da economia e achatando os salários.
Desde o mês passado, o BC tem indicado que poderá subir a taxa básica (Selic), que está em 14,25% ao ano, em janeiro de 2016. Ontem, Altamir reforçou essa posição. "O nosso mandato em relação à inflação é um só. É trazer a inflação para a meta. Temos determinação, compromisso, autonomia e instrumentos para agir", disse. "Esses instrumentos serão utilizados quando e se o Copom [Comitê de Política Monetária julgar necessário."
Sobre a possibilidade de moderar o ajuste fiscal e monetário para favorecer o crescimento, reivindicação de parte da base de apoio da presidente Dilma, Altamir disse que o processo poderia ser um pouco menos dolorido, mas implicaria um período mais longo de sofrimento.
Para o BC, apesar do aumento do desemprego, os reajuste salariais ainda representam uma ameaça à meta.
O BC projeta ainda uma inflação de 10,8% para 2015, praticamente a mesma esperada pelo mercado (10,7%). Também prevê queda do PIB de 3,6% neste ano e de 1,9% no ano que vem.
ARRECADAÇÃO
Sem sinal de recuperação da economia, a queda da produção da indústria e do movimento no comércio derrubou a receita tributária federal em novembro, na oitava queda mensal consecutiva. Ao todo, foram arrecadados R$ 95,5 bilhões no mês passado, o que significa um recuo de 17,3% em relação a novembro de 2014, descontada a inflação do período. No ano, a arrecadação é de R$ 1,1 trilhão, e a perda, de 5,8%.
Considerado o período de janeiro a novembro, o montante que ingressou nos cofres públicos é o menor desde 2010, no último ano do governo Lula.
A retração é ainda pior que a estimada para o PIB do ano, de 3,7%, segundo o centro das projeções de analistas e investidores.
Para reforçar o caixa do Tesouro Nacional, o governo federal realizou ontem o resgate de R$ 855 milhões do Fundo Soberano do Brasil, uma poupança realizada com a sobra de arrecadação de 2008 e que vem sendo gasta nos últimos anos.
Fonte: Jornal do Commercio
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