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Secretários querem ordem no “manicômio”
14 de agosto de 2020A expressão “manicômio tributário” foi repetida mais de 20 vezes ontem (12), durante audiência pública remota da Comissão Mista da Reforma Tributária. Desta vez, os deputados e senadores ouviram os representantes do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), que comemoram a façanha histórica de conseguir consenso em torno de uma proposta de reforma, que foca na tributação sobre o consumo.
Protocolada na Câmara, a emenda 192 é uma contribuição para consolidar o texto da Reforma Tributária. O maior imposto que o brasileiro paga no País é o ICMS. Ele está em tudo o que adquirimos: um saco de feijão, uma TV ou um pacote de internet. Por isso, é conhecido como o imposto do consumo. Hoje, o imposto que uma pessoa de baixa renda paga para comprar um quilo de carne é o mesmo que um rico paga.
Um dos pontos das propostas dos secretários reunidos no Comfaz é combater essa “regressividade”. O secretário da Fazenda de Pernambuco, Décio Padilha, que participou da audiência pública representando o Nordeste, explica que a proposta é fazer uma devolução parcial do imposto aos mais pobres.
“Essa devolução seria para quem ganha até dois salários mínimos de renda global familiar por mês. A ideia é que esse reembolso varie de 20% a 35% da alíquota do imposto cobrado, a cada compra realizada. Essas pessoas seriam cadastradas e poderiam pedir a devolução parcial no site da Sefaz do Estado onde comprou com seu CPF. O valor seria devolvido em uma conta bancária indicada pelo beneficiário até o dia 30 subsequente ao mês da compra”, detalha.
Padilha destaca que essa proposição não consta na PEC 45/2019, uma das três propostas de reforma tributária em análise no CongressoNacional. As outras são a PEC 110/2019 e o texto encaminhado pelo governo Bolsonaro. Outro tema explosivo em relação ao imposto do consumo é o local da tributação. Hoje, a cobrança é dividida entre o Estado que produz e o Estado que compra. Numa transação entre São Paulo e Pernambuco, por exemplo, São Paulo, que é o Estado de origem, recolheria 7%, contra 11% de Pernambuco, que seria a diferença para uma alíquota de 18%. Pela proposta do Comsefaz, todo o tributo ficaria para o Estado consumidor.
“Isso será um ganho de receita enorme para os Estados menos industrializados”, afirma Padilha. A pergunta que fica é como os grandes Estados produtores se convenceriam a aceitar essa mudança? A resposta está na criação de um Fundo de Compensação de 20 anos para os Estados mais industrializados que perderam com a tributação no destino.
O mesmo conceito vale para os Estados nordestinos que vão perder com o fim da concessão dos benefícios fiscais. Nos últimos anos, a guerra fiscal entre os Estados foi se acirrando e, em 2016, a Lei Complementar 160 determinou o ano de 2032 como o fim da política de concessão de incentivos. A expectativa é que esse fundo tenha um estoque de R$ 97 bilhões.
A proposta é que o fundo tenha um lastro financeiro permanente. Metade virá do Imposto Seletivo (IS), que não terá finalidade arrecadadora, mas uma destinação dedicada ao fundo. Serão tributados produtos como armamentos e munições, bebida alcoólica e fumo/cigarro.
A proposta dos secretários é substituir cinco tributos: três da União (IPI, Pis e Cofins), um dos Estados (ICMS) e um dos municípios (ISS) em apenas um, que se chamaria Imposto sobre Bens, Direitos e Serviços (IBS). Além da substituição, também defendem a padronização.
“O Brasil tem um sistema tributário complexo, com muitas legislações, decretos, portarias e instruções normativas. Pernambuco, que é um Estado médio, com quase 10 milhões de habitantes, produz mais de 550 atos de ICMS no ano. Em São Paulo, é três vezes isso. Ter uma única legislação melhoraria o ambiente de negócios”, defende Padilha.
Fonte: Jornal do Commercio
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