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Seca aumenta preço do leite

9 de abril de 2014

O leite longa vida (de caixinha) está mais caro e o aumento do preço ocorre por falta de chuvas. A alta do produto chegou a 3,20% em março último, comparando com fevereiro, segundo o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A estiagem atingiu os Estados que são os maiores produtores: São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná.

Um supermercado local registrou uma variação de 3,5% no preço do leite longa vida de março, comparando com fevereiro. Ou seja, em alguns casos, a alta foi um pouco maior do que a registrada pela FGV. "O preço está subindo há um ano e meio por causa da estiagem. Primeiro ocorreu a seca no Nordeste. Agora, é a do Sudeste", resume o vice-presidente da Associação Pernambucana dos Supermercados (Apes), Djalma Cintra Júnior.

Geralmente o leite tem uma alta em abril, quando começa o período seco do Sudeste/Centro-Oeste. O problema é que este ano a estiagem começou forte nas duas regiões a partir de janeiro. Isso fez os produtores de lá terem menos alimentos para oferecer às vacas, o que provocou a redução na produção de leite. Nessas regiões, algumas fazendas chegaram a diminuir em 20% a quantidade de leite que entregavam as fábricas. E aí a redução da oferta provocou a alta do preço.

"Quando o preço do leite sobe no Sudeste traz impacto aqui também", comenta Djalma, argumentando que grande parte do leite e derivados consumidos localmente vêm de fora.No acumulado do ano (entre janeiro e março últimos), o leite longa vida (de caixinha) já registrou uma alta de até 10% no preço em supermercados locais. O aumento foi grande porque a inflação oficial do País, medida pelo IPCA, do IBGE, alcançou 5,68%no acumulado dos últimos 12 meses.

A alta do preço do leite não ficou apenas no longa vida. Derivados do produto como o requeijão e o iogurte registraram um aumento de preço que variou de 5% a 8% entre janeiro e março deste ano, de acordo com a rede de Supermercados Bonanza.

"O consumo do leite deve continuar no mesmo patamar, porque as pessoas não deixam de consumir o básico. Já com relação aos iogurtes, geralmente o consumidor passa a comprar embalagens menores", conta Djalma. Segundo ele, a tendência é a alta do produto continuar até as chuvas se normalizarem no Sudeste e Centro-Oeste.

MERCADO LOCAL
As últimas chuvas que caíram no interior amenizaram o problema provocados pela estiagem em alguns municípios da bacia leiteira do Estado, concentrada no Agreste pernambucano. "O produtor local ainda não está se beneficiando da alta do preço do leite no Sudeste e continua vendendo o litro por R$ 1,10 a R$ 1,30", diz o presidente do Sindicato dos Produtores de Leite de Pernambuco, Saulo Malta.

De acordo com ele, os produtores locais também continuam prejudicados pela autorização que o governo federal deu para os proprietários de laticínios usarem até 35% de leite reidratado para fabricar seus produtos. "Tem fábrica que está usando até 60% de leite reidratado. Quem perde é o consumidor, porque nem todos estão usando leite em pó de qualidade para fazer isso", comenta.

Localmente, os produtores também continuam com dificuldade para comprar alimentos para os animais. "Estamos há mais de 60 dias sem conseguir comprar o milho da Conab", conta Saulo. O cereal é vendido de forma subsidiada para amenizar os problemas que os produtores locais tiveram com a estiagem, que provocou a escassez de alimento para o gado.

O preço do leite local também não está subindo, porque no Estado os principais fabricantes de leite industrializado e derivados estão com um estoque alto (de leite) nas suas unidades. Somente cerca de 40% a 50% de todo o leite produzido em Pernambuco é destinado à indústria (se transformando em leite longa vida, iogurte ou queijos). O restante é destinado ao fabrico artesanal de queijo coalho e manteiga. São necessários 10 litros de leite para fabricar um quilo de queijo coalho.

O preço do leite no mercado local está estável, segundo o diretor presidente da Bom Leite, Stênio de Andrade Galvão. "Não estamos tendo dificuldade de adquirir matéria-prima no mercado local desde o Carnaval, embora a produção da bacia leiteira de Pernambuco esteja produzindo um milhão de litros de leite a menos por dia desde as secas de 2012-13", conta Galvão.

Fonte: Jornal do Commercio

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