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Ruas desertas, cidade esvaziada

4 de julho de 2013
Os usuários do sistema de transporte coletivo deverão se preparar para mais um dia de ruas “desertas”. Quem precisar se deslocar terá que enfrentar muita caminhada. A decisão dos motoristas de manter o movimento grevista foi tomada ontem durante assembleia na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Pernambuco, e em reunião da oposição ao sindicato, no Parque 13 de Maio, ambos em Santo Amaro, na tarde de ontem. Mesmo com a greve considerada ilegal pela Justiça, a manifestação seguirá, segundo os rodoviários, até que haja acordo entre as classes trabalhadora e patronal. Esse será o quarto dia de paralisação. Sensibilizado com o pedido de apoio dos rodoviários, o governo do estado fará a intermediação entre as categorias e deverá marcar novas reuniões. O Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6) comunicou que não vai mais  intermediar as negociações.
 
A meta dos rodoviários é tirar de circulação todos os coletivos, segundo o presidente do sindicato, Patrício Magalhães. Por unanimidade, eles decidiram que vão circular normalmente às 7h, mas uma hora depois vão parar os veículos onde estiverem. E os passageiros terão de descer. A recomendação é que sigam para o Centro do Recife, onde deverão estacionar os ônibus. No final da tarde, às 17h, eles voltam a operar. O ato será realizado nos mesmos moldes de ontem, quando os veículos formaram filas na extensão de avenidas como a Cruz Cabugá, a Mário Melo e o Viaduto Capitão Temudo.
 
Em contraste com os ônibus parados, o vaivém de pessoas que precisaram caminhar quilômetros para chegar aos seus destinos. Cena que se repetirá hoje. Para tentar controlar o tráfego e monitorar os ônibus parados, o Grande Recife Consórcio de Transportes, com o apoio da CTTU, colocará quatro pontos de retorno na cidade. Duas equipes serão instaladas na Zona Oeste, duas na Zona Norte e uma na Sul. O órgão, entretanto, ressaltou que não tem poder de impedir greves. Ontem, não havia bloqueios e os motoristas pararam onde quiseram.
 
Além de enfrentar a pressão popular, o sindicato foi multado em valores que já somam R$ 300 mil. Desde ontem a greve é considerada ilegal, após o TRT julgar o dissídio da categoria. A multa é de R$ 100 mil por dia, mas eles foram punidos também em R$ 200 mil por descumprir a determinação de colocar nas ruas 80% da frota nos horários de pico e 50% nos outros horários. De acordo com o presidente do TRT6, desembargador Ivanildo Andrade, o órgão não intervirá mais no caso. “Já deliberamos e a nossa competência acabou. O TRT só irá se envolver novamente para homologar um possível acordo entre eles ou se os rodoviários recorrerem da decisão”, afirmou. 
 
A intermediação entre as classes será feita pelo governo do estado. Ontem, os diretores do sindicato se reuniram com o secretário estadual de Articulação Social e Regional, Aluisio Lessa, no Centro de Convenções, e pediram apoio. Na ocasião foi entregue um documento com as reivindicações como o reajuste de 20% para os rodoviários, a não punição dos trabalhadores que participaram da paralisação e a anulação das multas. Em nota, o governo apelou que os rodoviários cumpram a decisão do DRT. 

Fonte: Diario de Pernambuco

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