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Ritmo menor, mas pouco alívio no bolso

22 de outubro de 2017

O recuo do grupo “alimentação e bebidas” no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) está segurando a inflação este ano. Em setembro, apresentou deflação de 0,41%. A prévia do IPCA mostra que o índice ficou em 2,25% no acumulado do ano até outubro, bem distante dos 6,29% fechados no fim do ano passado.

Em Pernambuco, nos últimos doze meses encerrados em setembro, o subgrupo “alimentação em domicílio” apresentou queda de 3,42%. Porém, na prática, alguns consumidores não sentem o alívio nas finanças.

O IPCA analisa os valores com base em dados coletados em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionárias de serviços públicos e domicílios.

Este ano, o que impactou o resultado foi a supersafra de grãos, que chegou a 242 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 30% maior do que a última. Isso afetou produtos como feijão e hortaliças, itens essenciais na cesta básica do brasileiro.

No Estado, o grupo dos cereais, leguminosas e oleaginosas caiu 29,32% nos últimos 12 meses. “No caso do feijão, houve mais oferta do que demanda, foi suficiente para abastecer o mercado.

Em 2017, o clima também ajudou a manter os preços estáveis, diferente da explosão do ano passado”, comenta o presidente do Insituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders.

Por outro lado, produtos de pesos importantes permaneceram estáveis ou apresentaram leve alta. A carne, por exemplo, subiu 4,2% no Estado. Aves e ovos, 3,89%, e bebidas e infusões, 2,58%.

“Existe uma desaceleração na maioria dos produtos de alimentação e bebidas, desta forma o grupo é puxado pra baixo. As famílias não sentem a diferença porque itens importantes consumidos diariamente, como a carne, subiu o preço mas não tem força suficiente pra fazer pressão no grupo todo”, comenta o economista do Instituto Fecomércio-PE, Rafael Ramos.

Há vários fatores que influenciam os preços dos alimentos. Os principais são a sazonalidade e a oferta, determinado por safra.

De acordo com o diretor Comercial do grupo Masterboi, Ênio Lima, a carne ainda sofre variação por cortes também. “Acreditamos que os cortes mais nobres vão subir um pouco em função das festas de fim de ano. Já os cortes mais comuns tendem a permanecer com preços estáveis ou até caiam um pouco”, diz.

O empresário Paulo Lucas, dono de um restaurante no Bairro do Recife, notou o aumento em bebidas alcóolicas e a estabilidade nos preços das carnes. Já nas hortaliças, encontrou muita variação.

“Já cheguei a encontrar, na mesma semana, alface por R$ 0,75 e R$ 1,58. No caso das hortaliças, acho que parou de subir, quando comparamos com o ano passado. Também depende muito de onde compra”, finaliza.

No Ceasa, os preços para o atacado, em setembro, refletiram o IPCA. O fardo de 30 quilos do feijão carioquinha caiu 60% na comparação de setembro de 2017 com o mesmo mês do ano anterior.

Já a carne se mantém acima da média histórica, devido à entressafra. Para o chefe do Setor de Informações de Mercado Agrícola, Marcos Barros, o clima ajudou. A previsão é de que os preços fiquem “comportados”até o fim do ano.

SETORES 
Rafael Ramos lembra que, além da alimentação, outros itens acabam pesando sobre o orçamento do consumidor. Por exemplo, combustíveis cresceu 11,35% nos últimos 12 meses no Estado encerrados em setembro.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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