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Relator quer manter depoimento de delatores

8 de junho de 2017

O ministro Herman Benjamim, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido da defesa para desconsiderar o conteúdo das delações da Odebrecht e do casal João Santana e Mônica Moura no processo que pode levar à cassação do mandato do presidente Michel Temer e à inelegibilidade da ex-presidente Dilma Rousseff.

Herman argumentou que a Odebrecht é citada “mais de uma vez” na petição inicial apresentada pelo PSDB após as eleições de 2014. Para ele, “não houve invenção do relator no que tange propina na Petrobras ou propina ofertada por empreiteiras”. “A petição inicial descreveu o que estava ocorrendo com a Petrobras, indicou quem estava se beneficiando, as empresas. Entre essas empresas apontou a Odebrecht, e finalmente pediu cópia integral dos autos da Lava-Jato”, defendeu o relator.

O relator também afirmou que “qualquer brasileiro minimamente informado, que acompanhou o cenário político nas últimas décadas” sabe que Odebrecht tem uma estreita relação com os governos, e não só a partir de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Presidência.

Em uma espécie de pergunta retórica, ele questionou se em uma “ação que tem por objetivo precípuo verificar se houve abuso de poder econômico na campanha da Coligação com a Força do Povo, em 2014, poder-se-ia ignorar o papel da Odebrecht neste cenário, mesmo que não estivesse mencionada expressamente nas petições iniciais? A resposta é um enfático não”.

Herman defendeu ainda que a Odebrecht, por meio da petroquímica do grupo Braskem, foi o maior parasita da Petrobras. “É descabido dizer da tribuna que Odebrecht e a Petrobras não têm nada a ver”, ironizou.

Sobre o marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura, Herman afirmou que decidiu ouvi-los como um “desdobramento dos depoimentos dos executivos da Odebrecht”, já que os dois teriam recebido dinheiro da empreiteira durante a campanha de 2014.

Gilmar Mendes disse ontem à tarde que espera que o julgamento termine “o mais cedo possível”. Questionado se a decisão da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, de manter sessão da corte amanhã atrapalharia a análise do TSE, Mendes disse que não. “A gente se adapta”, afirmou.

O TSE marcou três sessões para hoje (de manhã, tarde e noite) para análise da ação da chapa Dilma-Temer. Três ministros que integram o TSE também compõem o STF (Gilmar Mendes, Luiz Fux e Rosa Weber) e terão que se ausentar da sessão do Supremo em razão da agenda do TSE.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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