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Reforma da Previdência incluirá filhos na conta

7 de fevereiro de 2019

Ter filhos pode ser um dos critérios que o governo usará para definir a idade mínima de aposentadoria na reforma da Previdência que será encaminhada ao Congresso. Segundo técnicos que participam das discussões, homens que criam filhos sozinhos e mulheres teriam uma idade menor que os demais trabalhadores para requerer o benefício. O limite seriam três filhos. Outra possibilidade seria calibrar o valor do benefício. Ele seria maior para pais nessa situação e mães.

De acordo com os técnicos, se a idade mínima ficar em 65 anos, como quer o ministro da Economia, Paulo Guedes, uma mulher com um filho, por exemplo, poderia se aposentar um ano na frente das demais, com 64 anos. A ideia é defendida pela ala política. Outra solução seria conceder a essa mulher um ano a mais de contribuição. Assim, se ela contribuir durante 30 anos, por exemplo, ganharia um ano a mais na contagem e isso se reverteria em um aumento de 2% no valor do benefício.

Segundo os defensores da proposta dentro do governo, essa seria a forma correta de compensar um trabalhador que produz menos para se dedicar à família. Essas medidas também teriam o objetivo de humanizar a reforma para facilitar sua aprovação no Congresso.

Em jantar realizado na noite de terça-feira (5), Guedes disse que defende pessoalmente que a reforma estabeleça a idade mínima de 65 anos para que tanto homens quanto mulheres possam se aposentar, mas sinalizou que Bolsonaro deverá optar por uma regra mais branda para o sexo feminino.

O ministro disse que faltam apenas detalhes finais para a proposta ser apresentada e disse que uma hipótese é reduzir a idade mínima das mulheres de acordo com o número de filhos. Em todos os casos haveria regra de transição.

“Eu conheço mais viúva do que viúvo. Quem conhece mais viúvo do que viúva? As mulheres duram mais. É evidente que eu acho que as mulheres deveriam ser também 65 anos. Uma ideia que está em consideração é que seja 65 anos para os dois”.

“Agora, se teve um filho, a mulher fica um ano a menos. Pode ser um ano a menos (por filho) até determinado limite. Tem que tomar cuidado com Dona Maria que pode ter 13 filhos, nós também não queremos estimular isso”, afirmou o ministro, que acrescentou ainda: “O Bolsonaro acha que as mulheres deveriam ser 60 e homens, 65”.

O ministro negou qualquer incômodo com o vice-presidente Hamilton Mourão, que havia apontado divergência entre as propostas de Guedes e do próprio presidente.

“O Mourão passou três ou quatro meses do meu lado o tempo inteiro. Agora, ele está certo. Bolsonaro vai falar (que para mulheres é) 60 anos e daqui não passa. É o que eu imagino que ele vai fazer, não sei ainda. Nota 10 para o Mourão. O presidente tem predileção por um número menor. Quem tem voto é ele, eu só faço conta e mostro”, disse o ministro.

Desde que tomou posse, a única declaração detalhada de Bolsonaro sobre os critérios que seriam usados na reforma foi durante uma entrevista em que defendeu uma pequena elevação na idade mínima, que passaria dos atuais 55 anos para 57, no caso das mulheres, e de 60 anos para 62, no dos homens. 

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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