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Recessão faz inflação perder força

10 de março de 2016

A recessão, enfim, começa a bater na inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro foi de 0,90%, abaixo da taxa de janeiro, de 1,27%, e da registrada no mesmo mês do ano passado, de 1,22%. Apesar da evidente desaceleração, os preços ainda estão subindo. O que freou uma alta ainda maior do custo de vida foram a redução das passagens aéreas, provocada pela menor procura em tempos de crise, e a mudança na bandeira tarifária da energia, que em fevereiro passou de R$ 4,50 para R$ 3 por 100 quilowatts consumidos.

De acordo com Eulina Nunes, coordenadora do IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os itens que tiveram maior peso na taxa de fevereiro, com impacto de 60% no índice, foram educação e alimentos e bebidas. “A maior contribuição foi do reajuste das mensalidades das escolas, de 5,9% em fevereiro”, explicou. Os produtos alimentícios são os itens mais importantes no consumo das famílias e tiveram alta de 1,06% em fevereiro. “Houve desaceleração em relação ao mês anterior porque estamos em período de safra, com maior oferta de produtos, mas também porque o consumo tem sido limitado. O da carne, por exemplo, caiu porque as pessoas estão substituindo o produto”, avaliou.

Para Márcio Milan, analista da consultoria Tendências, houve uma desaceleração em relação à prévia da inflação, medida pelo IPCA-15. “E a tendência é desacelerar mais. O item educação deve sair da conta, porque é concentrado em fevereiro. Isso significa que em março não vem com essa força toda. Se tirar a educação da inflação de serviços, o indicador apresenta alta de 0,36%, um patamar bem mais baixo, e a menor variação desde fevereiro de 2001”, observou. Infelizmente, segundo o especialista, a queda no custo de vida dos serviços é reflexo do reajuste do mercado de trabalho em tempos de crise, com demissões e salários mais baixos.

Embora com menos força, os preços dos alimentos continuaram subindo, com destaque para a cenoura, com alta de 23,79%, e da farinha de mandioca (11,40%). Entre os produtos com preços em queda, estão o, antes vilão da inflação, tomate, com recuo de 12,63%, e a batata-inglesa (-5,70%). As contas de energia elétrica, com redução de 2,16%, influenciaram a queda do grupo Habitação, de 0,15%, sendo a principal contribuição negativa. No ano, o custo de vida está em 2,18%, inferior aos 2,48% acumulados em igual período de 2015. Nos últimos 12 meses, os 10,36% acumulados ficaram abaixo dos 10,71% de antes.

Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes, a alta nos preços de produtos alimentícios é resiliente. “A inflação do item alimentação e bebidas tem sido persistente e se mantém acima de 1% ao mês desde novembro de 2015”, ressaltou. Ele observou, que, pelo lado positivo, os preços administrados, que pressionaram a carestia entre 15% e 18% no ano passado, tiveram a menor variação em seis meses em fevereiro, de 0,39%. “Em janeiro estava em 1,75%”, apontou.

Sobre a forte alta no item de educação, Bentes é categórico: “Podia ter sido muito pior, se não fosse a dificuldade de quem tem esse tipo de gasto em pagar pelo serviço. Muita gente está tirando os filhos da escola particular e colocando na pública, e jovens estão trancando a faculdade por causa da crise”, alertou. O especialista afirmou que muitos serviços estão contaminados pela recessão econômica. “Preços de alimentação fora do domicílio, serviços médicos ou odontológicos e hotéis estão em queda”, enumerou. Se há alguma boa notícia, conforme Bentes, é o fato de que a inflação deve limpar os dois dígitos a partir de abril. 

Sobe e desce

A inflação dos alimentos na Região Metropolitana do Recife

Em alta

Cebola – 12,69%
Banana – 11,02%
Ovos – 8,61%
Frutas – 6,22%
Tomate – 4,2%
Frango – 2,1%
Pão Francês – 1,9%
Carne – 1,83%

Em baixa

Batata – 3,02%
Cerveja fora de casa – 1,44%
Queijo – 0,43%

Fonte: Diario de Pernambuco

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