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Protesto de auditores da Fazenda pode comprometer hospitais

16 de dezembro de 2009

 

Quem precisa liberar mercadoria ou passar no posto fiscal da Secretaria da Fazenda encontra dificuldade e muita demora no atendimento. A lentidão é provocada porque os auditores fiscais estão realizando uma operação tartaruga. A maior preocupação é que vários medicamentos estão retidos e isso pode comprometer o atendimento dos pacientes nos hospitais.

No posto fiscal em Goiana, a grande quantidade de caminhões no acostamento e o pátio lotado no comprovam o problema. O atendimento é demorado justamente quando o movimento de cargas aumenta em até 40% com as encomendas do natal. Um problema também para os motoristas que precisam cumprir prazos para as entregas.

O presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado, José Pessoa (foto 4), diz que faltam funcionários e que o sistema de computação é ineficaz. “O problema maior hoje é a falta de pessoal na Secretaria da Fazenda, que há 17 anos não realiza concurso público. Somado a esta deficiência de pessoal, a gente tem também a carência e a ineficiência do sistema e-Fisco implantado pelo Estado sem qualquer sistema paralelo, que vem travando e saindo do ar constantemente, o que dificulta ainda mais o atendimento destas pessoas.”

Na Central de Notas da Secretaria da Fazenda, mais um problema: fila de comerciantes que tentam liberar as mercadorias. “Eu cheguei hoje às 5h30 para pegar uma ficha para o dia 23 de dezembro, para ser ainda agendado e atendido”, reclama o representante comercial Roberto Mergulhão.

Apenas 30 pessoas são atendidas por dia. Antes da operação tartaruga eram 120. O protesto dos auditores fiscais já dura um ano e é uma estratégia da categoria que reivindica melhores condições de trabalho.

Sem acordo com a Secretaria da Fazenda, os contribuintes é que sofrem. “É um absurdo. Uma falta de respeito à humanidade. Nós estamos com nossos produtos retidos e nem sabemos o. Ficamos sem atendimento e nem sabemos se vai resolver”, diz a comerciante Lúcia Oliveira.

Além do prejuízo para os comerciantes dos mais diferentes tipos de mercadorias, estão retidos pela Secretaria da Fazenda alguns produtos essenciais como medicamentos hospitalares que são perecíveis. Sem contar que a falta destes remédios pode prejudicar o tratamento de centenas de pacientes.

Alcineide Limeira, administradora de uma empresa que fornece material para exames de sangue dos maiores hospitais e laboratórios públicos de Pernambuco, revela que está com a mercadoria retida há oito dias. Sem a liberação não é possível repor os estoques e a preocupação é grande.

“Os hospitais vão parar se a gente não conseguir liberar. Infelizmente, vão parar. Os pacientes vão ficar impossibilitados de fazer os tratamentos, os acompanhamentos. Com isso, vão ficar impossibilitados de fazer cirurgia, atendimentos de urgência. Tudo isso compromete o paciente”, alerta a administradora.

O diretor de Fiscalização de Mercadorias em Trânsito da Secretaria da Fazenda, Oscar Victor, disse que remédios têm prioridade na fiscalização e que não há registro de medicamentos retidos.

De acordo com o diretor de Fiscalização da Sececretaria da Fazenda de Pernamabuco, Oscar Victor Vital, a denúncia foi apurada ainda pela manhã. “Levantamos as informações nas unidades de fiscalização e no terminal de liberação de mercadorias da rua da Aurora e, neste momento, o serviço não está paralisado, apenas segue o trâmite normal. A categoria irá tomar medidas para agilizar o serviço para não prejudicar a população”, explicou.

Fonte: Pe360graus

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