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Professor suspende greve

5 de maio de 2015

Em uma assembleia tensa e bastante dividida, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, Grande Recife, ontem professores da rede estadual de ensino decidiram suspender temporariamente a greve, iniciada dia 10 de abril, e voltam ao trabalho hoje. A categoria aceitou proposta de negociação do governo, que apresentou cronograma de medidas a serem adotadas entre os dias 6 e 15 – inclusive discussão financeira para ser aplicada ainda este semestre – e no dia 21 faz nova assembleia para avaliar se as ações são satisfatórias ou se retomam o movimento.

Marcada para as 14h, a assembleia começou com uma hora de atraso e se estendeu até pouco depois das 18h. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Fernando Melo, detalhou a proposta do governo, que se dispôs a devolver descontos e realocar os 15 professores afastados de escolas de referência, mediar suspensão de multa na Justiça e retomar discussão sobre a pauta de reivindicação que possui 40 itens.

"O governo recuou, nos chamou para negociar e assume compromisso de discutir a questão financeira para vigorar ainda este semestre, é um avanço", avalia Fernando Melo, que propôs a suspensão da greve até o dia 21. A oposição ao sindicato – que entrou no teatro carregando caixão com boneco do governador Paulo Câmara e segurando cruzes, simulando cortejo – apresentou proposta de radicalizar e manter o movimento.

Foram duas horas de acaloradas discussões, com vaias e troca de acusações. Na votação, a divisão foi tão grande que foi pedido aos trabalhadores para levantarem a mão novamente e por pouco, a pedido da oposição, não houve três votações. Os defensores da suspensão da greve alegaram que recuar era estratégico, defenderam o diálogo e registraram o fato de muitos colegas estarem voltando à sala de aula, enfraquecendo o movimento.

Os defensores da radicalização disseram que a greve reivindicava cumprimento da lei do piso salarial, que prevê reajuste de 13,01% a todos os profissionais (o governo só quis dar aos de ensino médio) e isso não estava assegurado, portanto, voltariam com uma mão na frente e outra atrás. "Não podemos confiar num governador que promete 100% de aumento na campanha eleitoral e não quer nem pagar o piso", argumentou a docente Bênia da Silva.

"Foi uma votação difícil, mas a divisão é normal em uma categoria aguerrida e politizada", avaliou Fernando. O caixão foi queimado na rua, ao final da assembleia. Categoria tem 49,8 mil docentes, sendo 23,1 mil em atividade, e cerca de 650 mil estudantes.

Fonte: Jornal do Commercio

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