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Produção sobe, juro cai e inflação desacelera

7 de setembro de 2017

As novas delações dos executivos do Grupo J&F, citando membros do Ministério Público e do Judiciário, aumentaram ainda mais a tensão política em Brasília. Mas em matéria de economia, ainda que lentamente, os principais fundamentos vão entrando nos trilhos. A inflação e os juros vêm caindo seguidamente e a produção industrial (leia matérias nesta página), que sofreu, e muito, os efeitos da recessão, dá sinais de recuperação.

Ontem, o IBGE divulgou que o IPCA (índice oficial do País) de agosto foi de 0,19% ante um avanço de 0,24% registrado em julho. O resultado ficou abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta entre 0,22% e 0,47%, com mediana positiva de 0,32%.

A inflação de 0,19% em agosto fez a taxa acumulada em 12 meses recuar para o menor patamar desde fevereiro de 1999. A taxa também foi a mais baixa para meses de agosto desde 2010, quando esteve em 0,04%. Em agosto de 2016, o IPCA tinha sido de 0,44%.

Como resultado, a taxa acumulada em 12 meses diminuiu de 2,71% em julho para 2,46% em agosto, abaixo da meta estipulada pelo governo, de 4,5%. A taxa acumulada no ano de 2017, de 1,62%, é a mais baixa para o período de janeiro a agosto da série histórica do IPCA iniciada na implementação do Plano Real, em 1994. Só para refrescar a memória, em 2015, o Brasil teve uma inflação de 10,67%.

As famílias brasileiras voltaram a gastar menos com alimentação em agosto, pelo quarto mês consecutivo. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma queda de 0,47% em agosto para um recuo de 1,07% no último mês, segundo os dados do IPCA. “Nesse ano, alimentação tem ajudado bastante a arrefecer a inflação”, declarou Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

Segundo o instituto, as reduções de preços ainda são resultado da safra recorde de grãos esperada para este ano no País. O grupo Alimentação, que responde por 25% das despesas das famílias, deu uma contribuição de -0,27 ponto percentual para o IPCA de 0,19% de agosto. O recuo foi suficiente para anular o aumento de 1,53% nas despesas com transportes, que resultou em pressão positiva de 0,27 ponto percentual na inflação do mês. “Não fosse o aumento em transportes o IPCA poderia ter ficado menor”, ressaltou Gonçalves.

Para ele, o impacto positivo da demanda fraca sobre a inflação já foi mais evidente. “O que acontece é que durante o correr do ano, a gente teve redução na taxa de juros, inflação mais baixa, injeção de alguns bilhões de FGTS na economia. Tudo isso gerou espaço para que as famílias pudessem consumir.”

VILÃO 
Os combustíveis ficaram 6,67% mais caros em agosto, o maior impacto positivo sobre a inflação do mês, o equivalente a uma contribuição de 0,32 ponto percentual para a taxa de 0,19% registrada pelo IPCA.

O litro do etanol ficou, em média, 5,71% mais caro em agosto, enquanto a gasolina aumentou 7,19%, em razão da elevação na alíquota do PIS/Cofins em vigor desde julho e da política de reajustes de preços dos combustíveis nas refinarias praticada pela Petrobras. Dentro do período de coleta do IPCA de agosto, foram anunciados 19 reajustes de preços da gasolina que, acumulados, resultam em um aumento de 3,40%. Os problemas climáticos nos EUA, que têm pressionado os preços dos combustíveis no mercado internacional em setembro, podem levar a novos repasses.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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