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Preço do pão vai subir 15% no Estado

27 de março de 2008

O quilo do pão francês em Pernambuco custará, a partir de abril, até R$ 7,50, um aumento de 15% em relação aos R$ 6,50 cobrados atualmente. A decisão foi tomada ontem pelo setor de panificação do Estado que se vê pressionado pelo aumento do preço do trigo e pela alta carga tributária. “Já foi anunciado que o saco de 60 quilos de trigo chegará a R$ 125 no próximo mês. Isso é um absurdo. E ainda temos que enfrentar uma carga tributária de 36,8%. A crise é muito séria”, acrescentou o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado de Pernambuco (Sindipão-PE), José Cosme da Silva.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação (Abip), Alexandre Pereira, se não houver uma mudança de cenário haverá novos aumentos em maio e junho, sempre acompanhando a alta do trigo. Todo o segmento de panificação do Nordeste esteve ontem reunido na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) para discutir o aumento no preço do grão e os seus impactos na cadeia, além da ameaça de desabastecimento da principal matéria-prima.

De acordo com José Cosme da Silva, os moinhos que fornecem farinha de trigo para as padarias do Estado só possuem estoque para mais 60 dias. “Nenhuma das medidas adotadas pelo governo federal como redução de impostos de importação adiantaram”, afirmou o presidente. Ainda segundo ele, o maior temor do segmento é de que o preço do trigo, influenciado primordialmente pelo aumento na demanda do mercado mundial, só venha a cair quando houver uma forte retração no consumo. Isso implicaria em queda na produção e, conseqüentemente, demissões no setor. “Isso é o que nós não queremos que aconteça. Não queremos que o preço caia dessa forma”, argumentou o presidente do Sindipão-PE.

O mercado tem passado por fortes oscilações desde o final do ano passado. A seca atrasou a safra da Argentina – um dos maiores produtores mundiais e principal fornecedor do Brasil – e desestabilizou toda a plantação australiana, forçando os produtores argentinos a socorrerem a demanda mundial. Há ainda uma “corrida pelo ouro” do mercado de biocombustíveis, que levou produtores de trigo a optarem por milho e soja, que estão bem mais valorizados.

Além do aumento no preço pelo crescimento da demanda, José Cosme da Silva comenta que existem ainda um movimento de especulação nos preços da matéria-prima praticado por oportunistas.

Fonte: Jornal do Commercio

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