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Poupança fica mais vantajosa

1 de setembro de 2013
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar, na semana passada, a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual – para 9,00% ao ano – trouxe mudanças no cálculo da poupança, que se tornou mais atrativa. Agora, a rentabilidade das cadernetas novas se igualou à das cadernetas antigas, aquelas anteriores a 4 de maio de 2012. Isso porque há duas maneiras de se calcular o rendimento para depósitos a partir dessa data. Se o juro estiver igual ou menor que 8,50% ao ano, a poupança rende 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR). Mas, caso esteja acima de 8,50% – como é o caso atual -, a caderneta volta a render 0,54% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais TR.
 
A mudança na regra foi feita pelo governo no ano passado para permitir a queda gradual dos juros no Brasil sem que isso fosse sinônimo de fuga de cotistas de fundos de investimento para caderneta de poupança. Na prática, enquanto a Selic perdurar acima de 8,50% – como vem indicando o mercado para o restante do ano -, fica acionado o gatilho, e a poupança nova terá rendimento exatamente igual ao da poupança antiga. Se por acaso a taxa básica de juros voltar a cair e ficar igual ou menor que 8,50%, o cálculo volta a ser de 70% da Selic mais TR. As regras são impostas pelo BC.
 
A poupança é a preferência de boa parte dos brasileiros na hora de investir, principalmente do pequeno poupador e das pessoas com perfil mais conservador. Além de segura, a caderneta não sofre tributação do Imposto de Renda (IR), diferentemente, por exemplo, dos fundos de renda fixa, fundo DI, CDBs e títulos do Tesouro. Nesse casos, quanto menor o prazo de resgate maior a incidência do tributo. Além disso, esses investimentos requerem uma taxa de administração, o que diminui o retorno líquido da aplicação. O sócio da FuturaInvest Diogo Velho Barreto lembra que os bancos continuarão com a separação interna entre as duas poupanças, apesar de ambas renderem agora a mesma coisa. Na hora do saque, a escolha é do poupador. O sistema funciona como se houvesse duas contas correntes separadas, para a nova e para a antiga caderneta.
 
Mesmo com a alta do juro, que eleva a rentabilidade dos investimentos atrelados à Selic, a poupança vai continuar se destacando frente a fundos de renda fixa, pela não incidência de IR nem de taxa de administração. Esse fato deverá provocar reduções nos custos das taxas dos bancos para que não percam clientes. Atualmente a poupança só perde para os fundos de renda fixa, independentemente do prazo de resgate, quando a taxa de administração for a mais baixa (de 0,50% ao ano), normalmente para aplicações de valores acima de R$ 50 mil. A avaliação é de Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).
 
Uma outra alternativa é investir em Títulos do Tesouro. É possível investir a partir de R$ 100. Eles podem ser pré-fixados, atrelados à inflação ou atrelados à Selic. É preciso analisar o rendimento de cada uma das várias opção antes de escolher e prestar atenção na liquidez do ativo e no prazo de resgate Na avaliação de Osvaldo Moraes, sócio da Multinvest, para quem investe no longo prazo uma boa opção são títulos atrelados à inflação.
 
Considerando uma aplicação em CDB, segundo a Anefac, o investidor teria que obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para atingir o mesmo ganho obtido pela poupança nova, já que as aplicações em CDBs também pagam IR. No fundo DI, também vale a rega de ficar atento ao prazo de resgate e à taxa de administração. Supondo IR de 22,5% (prazo de resgate de até 6 meses), a opção é mais rentável que a poupança em casos de taxas de administração superiores a 0,80%. Lembrando que quanto maior o tempo da aplicação menor é o IR. 

Fonte: Jornal do Commercio

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