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Plano de saúde subiu 128,5% em 10 anos
19 de janeiro de 2014A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013 foi de 5,91%. Enquanto isso, nos 12 meses do ano passado, o preço das mensalidades de planos de saúde aumentaram 8,73%, também de acordo com o indicador medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na prática, isso representa um aumento real de 2,66% dos planos em relação à inflação. Olhando para trás, num período de 10 anos, é possível verificar que o fenômeno não é exceção, mas regra. Desde 2004, os planos de saúde aumentaram sempre acima do índice oficial, cravando um aumento acumulado de 128,58%, contra 71,14% do IPCA. Significa dizer que hoje os clientes comprometem bem mais de seu orçamento para ter acesso à saúde suplementar, num aumento real de 33,56% no período (quando descontados os efeitos da inflação).
"Os custos da área de saúde aumentam de forma assustadora, é uma área que tem muita inovação e, por isso, o setor não consegue ressarcir seus custos apenas a partir do pagamento das mensalidades de seus segurados", analisa o economista Jorge Jatobá. Na sua visão, o segmento sofre um conflito de interesses em três pontas, mas quem termina pagando o pato é o consumidor. "Os reajustes são fruto de negociação, mas há uma defasagem. Os médicos e hospitais pressionam as administradoras por melhores remunerações. As empresas, por sua vez, pressionam o governo por índices maiores, que termina liberando um índice abaixo do solicitado", comenta. Por ser um serviço, os planos de saúde também sobem de forma mais acelerada por falta de concorrência externa. "Com exceção dos ricos, ninguém vai tratar da saúde fora do País."
A advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Joana Cruz, alerta que os aumentos dos planos podem ser até maiores do que o percebido pela inflação oficial. "Os contratos coletivos somam 80% de todo o mercado, mas esse contingente não é percebido pelo IPCA, que verifica o reajuste dos planos individuais, cujos reajustes são autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Ninguém sabe ao certo o quanto esses aumentaram, mas há casos na Justiça de contratos com aumentos superiores a 80%", salienta. No caso dos contratos coletivos, os reajustes são acordados entre as empresas empregadoras, associações ou sindicatos que reúnem a clientela das administradoras.
A ANS, por sua vez, diz que a metodologia aplicada para definição do índice máximo para os planos individuais é a mesma desde 2001 e leva em consideração a média dos percentuais de reajuste aplicados pelas operadoras aos planos coletivos com mais de 30 beneficiários. A agência salienta também que o índice de reajuste divulgado pela ANS não é um índice de preços, mas um composto que leva em consideração a frequência de utilização de serviços, a incorporação de novas tecnologias e variação dos custos de saúde, "é um índice de valor".
Fonte: Jornal do Commercio
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