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Pior semestre em seis anos

29 de julho de 2016

A arrecadação de tributos pelo governo federal teve este ano o pior primeiro semestre desde 2010, arrastada pela queda na atividade econômica e pelo desemprego. As receitas no período somaram R$ 626,5 bilhões, queda de 7,33% na comparação com o mesmo período de 2015, descontada a inflação.

Apesar do resultado negativo, a Receita Federal já percebe certa estabilização no ritmo de piora. "Estamos arrecadando menos, mas o ritmo da queda aparenta pequena desaceleração", avaliou o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros do Fisco, Claudemir Malaquias. No primeiro trimestre, a queda na arrecadação superou 8%.

Apenas em junho, o governo federal recolheu R$ 98,1 bilhões em tributos, também o pior registro para o mês desde 2010 e 7,14% menos do que em junho de 2015, descontado o efeito da alta de preços. Nas duas comparações (mensal e semestral), o diagnóstico é semelhante. Fontes de recursos importantes, como impostos sobre a atividade industrial e sobre a renda, vêm tendo desempenho ruim diante da desaceleração da economia.

A queda das receitas em meio ao crescimento de gastos obrigatórios fez o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrar o maior deficit primário da história no primeiro semestre. De janeiro a junho, o resultado ficou negativo em R$ 32,521 bilhões. O rombo é bem maior que o registrado no mesmo período de 2015 (R$ 1,76 bilhões).

O deficit primário é o resultado negativo das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. Apenas em junho, o Governo central teve déficit de R$ 8,802 bilhões, negativo para o mês pelo terceiro ano seguido e também o maior déficit da história. Em junho do ano passado, a conta estava negativa em R$ 8,249 bilhões.

PREVIDÊNCIA Os gastos com a Previdência Social subiram 5,4% além da inflação nos seis primeiros meses do ano. As demais despesas obrigatórias cresceram 1,5% acima da inflação. Os gastos discricionários (não obrigatórios), no entanto, caíram 5,8%, descontado o IPCA. As despesas de custeio (gasto com a manutenção da máquina pública) caíram 7,9% de janeiro a junho.

Os investimentos gastos com obras públicas e compra de equipamentos somaram R$ 26,775 bilhões, recuo de 12,4% também considerando a inflação oficial. Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) totalizaram R$ 19,103 bilhões, queda de 12,7% descontada a inflação.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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