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PIB do Estado cresce 3,2%
14 de setembro de 2013Pernambuco vive um momento econômico de transição, com crescimento moderado. A conclusão é da Agência Condepe/Fidem, que divulgou ontem o Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco no primeiro semestre (2,9%) e no segundo trimestre deste ano (3,2%). Os resultados positivos, em relação ao mesmo período de 2012, foram possíveis graças ao crescimento dos setores industrial e de serviços. Dados preliminares mostram que o PIB do trimestre foi de R$ 28,8 bilhões.
Diante de um cenário que, conjuntamente, mostra alguma recuperação tanto no Estado como no País – o PIB do Brasil cresceu 3,3% no segundo trimestre quando comparado ao mesmo período do ano anterior – , especialistas divergem quanto ao cenário futuro.
A principal variável no cálculo do PIB é o valor adicionado bruto (entenda na arte ao lado) de três setores: agropecuária, indústria, que abarca construção civil, e serviços. Nos dois últimos, os valores foram moderadamente positivos no segundo trimestre (3,1% e 3,3%, respectivamente). A agropecuária marcou queda de -1,7 no mesmo período.
O que puxou o crescimento trimestral da indústria foram os dados da construção civil (4,8%) e da indústria de transformação (2,6%). "Apesar de grandes obras, como a Refinaria, estarem perto do fim, os polos automobilístico e farmacoquímico mantêm o ritmo", diz o gerente de pesquisas da Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães. No caso da indústria de transformação, a parte de alimentos e bebidas puxou a alta. O setor vinha em baixa graças à depressão na produção de açúcar e outros derivados da cana-de-açúcar. Esta, vale lembrar, foi fortemente afetada pela seca.
Já o setor de serviços foi influenciado pelo comércio (5,9% no 2º trimestre), além do setor de transporte e armazenagem, que cresceu a espantosos 9,8%. "Ele foi fortalecido pelo aumento na indústria, que passou a usar mais o transporte de cargas", explica Guimarães.
"Considerando que as análises mostram uma economia em desaquecimento, esses percentuais surpreendem", opina o economista Jorge Jatobá, da consultoria Ceplan. Porém, ele insiste que o cenário futuro é de freio de crescimento. "A economia não está aquecida e isso deve se projetar para o futuro. Os percentuais gerais mostram queda no consumo em relação aos anos anteriores, para citar um exemplo forte. Os outros índices também caíram", argumenta Jatobá.
Mesmo admitindo que a base de comparação do PIB é deprimida – 2012 foi um ano ruim para a economia -, o que favorece os números de 2013, Rodolfo Guimarães se mostra mais otimista. "O PIB do primeiro semestre de 2012 foi R$ 54,8 bilhões. Este ano, o mesmo período já soma R$ 60,2 bilhões. Se continuar assim, podemos chegar a R$ 125 bilhões no ano, contra R$ 115,5 bilhões de 2012.
Guimarães reconhece que 2014, sim, será o ano "preto no branco": com a base moderada de 2013 (se a atual tendência se perpetuar), é quando se saberá se há uma curva de volta ao aquecimento de 2010/2011 ou se o cenário é de declínio.
AGROPECUÁRIA
A agropecuária é o setor que menos pesa no cálculo do valor adicionado bruto e o único a cair no segundo trimestre (-1,7%). "A seca saiu afetando tudo", diz Guimarães. Das sete lavouras com cultivo mais demorado que mais pesam no cálculo (83%) – café, coco da baía, banana, manga, maracujá, uva e laranja -, quatro mostraram queda. A pecuária é, provavelmente, a que vai levar mais tempo para se recuperar. Estima-se que quase todo o gado leiteiro (-17,9% no 2º trimestre) tenha sido dizimado pela estiagem e que leve pelo menos 18 meses para se recuperar. No caso das aves, o impacto foi agravado pelo milho, que também foi destruída pela seca e enfrentou problemas de infraestrutura que dificultaram o envio de grãos para a região afetada.
Fonte: Jornal do Commercio
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