BRASÍLIA – O aumento de preços de combustíveis no curto prazo foi descartado pela presidente da Petrobras, Graças Foster. Fontes do mercado, entretanto, dão como certo um aumento em meados de outubro. Seria uma forma de sinalizar aos investidores que a Petrobras não terá problemas de caixa para explorar e operar bacias petrolíferas na região do pré-sal. Vale lembrar que o leilão do campo de Libra, o primeiro megabloco do pré-sal, acontece em 21 de outrubro.
Em audiência no Senado ontem, Graça explicou que o tempo todo analisa o caixa da companhia. E, ao mesmo tempo está olhando a cotação do petróleo no mercado internacional e o câmbio, que esse é um trabalho diário e constante.
"Trabalhamos sistematicamente na busca da economicidade da companhia, que nos faça poder ser cada vez mais ativos no negócio. Agora repito o que disse ontem à Bolsa: não há, no curto prazo, previsão de aumento no preço dos combustíveis", garantiu ela.
Durante a audiência, Graça evitou a se pronunciar diretamente se o leilão do campo de petróleo da camada de pré-sal de Libra deveria ser adiado, após denúncias de espionagem pelos Estados Unidos à empresa. No entanto, deixou subetendido que era contrária a possibilidade, porque a companhia tem todos os conhecimentos técnicos e operacionais para participar da licitação.
"Libra é desejo, decisão do governo que haja um leilão, a Petrobras não tem nenhum poder. Libra não é uma descoberta comum, não é qualquer coisa", disse a presidente da empresa.
Graça disse ainda que a Petrobras não teria condições econômicas de participar sozinha no leilão, porque o bônus de assinatura de R$ 15 bilhões era muito alto para as condições econômicas e financeiras atuais da empresa.
Sem querer também, em momento nenhum, dizer se a Petrobras vai participar do leilão, ela lembrou várias vezes durante a audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem, do Senado, que foi a companhia que descobriu de Libra e fez a perfuração do campo de petróleo.
A Petrobras será a operadora única do pré-sal, pelo sistema de partilha, e o edital prevê que a estatal terá direito a 30% do Campo de Libra, na Bacia de Santos. "Tem, portanto, mais 70% que podemos trabalhar na busca de consórcios. A companhia tem um caixa que dá a ela condições de participar e cumprir suas obrigações. Mas antes do dia 21 eu não devo falar de nenhum por cento a mais ou a menos porque certamente é estratégia para o leilão", disse Graça. A presidente reiterou otimismo com o leilão. "Pelas informações que temos, nos sentimos bastante confiantes. Quem perfurou, definiu locação, e teve a locação e autorização para perfurar aprovadas pela ANP? Temos que nos sentir seguros perante a concorrência."
Fonte: Jornal do Commercio