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Pesadelo da inflação está de volta

8 de outubro de 2010

Após três meses na lona, a inflação voltou a incomodar o bolso do brasileiro e a embalar os seus piores pesadelos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,45% entre agosto e setembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os vilões do mês foram os alimentos, grupo de produtos responsável por mais da metade desse encarecimento. Em 12 meses, a carestia chegou a 4,7%, valor que já supera em 0,2 ponto percentual o centro da meta definida pelo Banco Central. No levantamento, a capital do país foi o destaque negativo. Alimentar-se em Brasília ficou 1,79% mais caro em setembro e os preços, no geral, subiram 0,8% – quase o dobro da média nacional.

A elevação, apesar de ter corroído o orçamento do brasileiro, veio dentro do esperado pelo mercado financeiro e pelo BC. Mas, segundo alguns analistas, deixou a autoridade monetária em uma encruzilhada: de um lado, tem a obrigação de garantir a estabilidade de preços; do outro, se subirjuros vai abrir as portas do país à entrada de mais dólares e, por consequência, provocar valorização ainda mais intensa e indesejada do real. “Com o dólar caindo, subir os juros iria atrair mais capital estrangeiro para o país e valorizaria ainda mais o real. O governo não quer isso”, argumentou Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio e ex-diretor do BC.

Na visão de Constatin Jancso, economista do banco HSBC , uma elevação da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 19 e 20 de outubro, conteria preventivamente riscos de inflação mais elevada para o próximo ano. Minimizaria as pressões sob o custo de vida oriundas de um mercado de trabalho dinâmico e com desemprego em baixa, de uma indústria perto da sua capacidade máxima de produção e do crédito farto impulsionando o consumo. “Para minimizar esses riscos de médio prazo faria sentido o BC já subir juros agora”, defendeu Jancso. “Mas a probabilidade dele fazer isso é pequena”, ponderou.

Na lista do IBGE de produtos que mais subiram estão o feijão carioquinha (56,9%), as carnes de gado (14,93%) e de aves (3,29%), pães (4,07%) e as frutas (13,18%). Já o óleo de soja disparou nos últimos dois meses, acumulando alta de quase 15%.

Fonte: Diário de Pernambuco

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