Como vai o bolso do pernambucano? Mal. Essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada pelo site GuiaBolso (www.guiabolso.com.br) junto a consumidores do Estado. O site, que oferece consultoria financeira gratuita, foi criado e é gerenciado por executivos oriundos de empresas como a renomada consultoria americana McKinsey. O resultado da pesquisa foi alarmante: 55% dos entrevistados disseram estar "em apuros" e 35%, que suas contas estão "no limite". Quando o assunto é o tamanho da dívida, o alerta fica ainda mais vermelho. Mais da metade (55%) afirmou estar "superendividada", ou seja, comprometeu mais de 30% do seu orçamento com débitos.
A pesquisa foi realizada em todo o País com 25 mil visitantes do site. Ao se cadastrar no GuiaBolso, eles inseriram seus dados financeiros. O sistema faz um cruzamento de dados de endividamento e orçamento. O resultado aloca o usuário em um de quatro perfis: em apuros, no limite, poupador e investidor.
O resultado de Pernambuco não foi muito diferente do nacional, mas teve alguns resultados acima da média: falta dinheiro no orçamento de 67% dos consumidores e 55% estão superendividados (confira outros dados no quadro ao lado).
"Isso mostra o que todos sabem: o brasileiro tem pouca educação financeira", diz o planejador financeiro do GuiaBolso, Luiz Krempel. Apenas 10% dos pernambucanos possuem reserva financeira, contra 12% dos brasileiros.
Krempel nega que a maior parte dos visitantes do site seja de pessoas com alto nível de endividamento, "porque os dados condizem com pesquisas similares". Mês passado, uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que 65,2% das famílias brasileiras afirmaram estar endividadas.
Na pesquisa do GuiaBolso, entre as mulheres, 68% se dizem em apuros, contra 48% dos homens. Os percentuais são iguais no Brasil e no Estado. Para Krempel, ao falar em dívida, as mulheres costumam falar pela situação da família, enquanto o homem fala por si.
Os números de endividamento são altos devido a velhos conhecidos: aumento da oferta de crédito (antes da atual retração dos financiamentos), ascensão econômica da classe média e desemprego em baixa. "Também há o parcelamento, que está fortemente enraizado no brasileiro. Ele não enxerga os juros", diz Krempel.
O primeiro passo para o endividado é reduzir despesas para guardar dinheiro. Quando já tiver poupado, a recomendação é aplicá-lo em um fundo de alta liquidez (que permite rápida retirada), como a poupança. Quando mais dinheiro estiver no bolso, é a hora de se aventurar em formas mais complexas de investimento.
Em Pernambuco, apenas 3% têm perfil de investidor, de acordo com o GuiaBolso.com.
Fonte: Jornal do Commercio