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Pelo Ipea, cresceu a miséria no Brasil
6 de novembro de 2014RIO – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) disponibilizou, ontem, em seu banco de dados na internet dados que vinha mantendo sob sigilo durante as eleições e que mostram o aumento do número de miseráveis no país em 2013. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013), o instituto calculou que o número de pessoas extremamente pobres passou de 10,081 milhões, em 2012, para 10,452 milhões, em 2013, um acréscimo de 371.158 pessoas com renda inferior a R$ 70 por mês. A alta de 3,68% no número de miseráveis fez com que o percentual de extremamente pobres passasse de 3,6% para 4%.
Não foi o único instituto que constatou um aumento dos miseráveis no ano passado. Os pesquisadores associados do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) Andrezza Rosalém e Samuel Franco já tinham calculado um aumento do número de miseráveis 6,1% para 6,2% em todo o País no último ano.Os pesquisadores consideram miserável quem tem renda de até R$ 123, um patamar acima daquele usado pelo governo, de R$ 70, em 2013.
A pesquisadora Sonia Rocha, especialista em desigualdade e pobreza e também do Iets, foi outra que constatara a alta da miséria. Pelos cálculos da economista, houve aumento do percentual de miseráveis de 4,1%, em 2012, para 4,7% (sem o Norte rural), no ano passado, a maior alta desde 2008.
Em outubro, o diretor de políticas sociais do instituto, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da decisão do Ipea de não divulgar novas pesquisas enquanto durar o período eleitoral, o que foi minimizado na época pelo presidente, Sergei Soares.
O ministro Marcelo Neri (Assuntos Estratégicos) rebateu as críticas de que os dados sobre o processo de interrupção da redução da miséria sejam ruins. Para o ministro, as informações não podem ser vistas de maneira isolada pois o conjunto de dados divulgados pelo governo são positivos por refletir o crescimento de 5,5% da renda real per capita no país. "Existe um foco total em cima de um dado em um ano. Se a gente pegar os mesmos dados eles vão mostrar que a extrema pobreza nos dois últimos anos teve uma queda 50% acima da prevista pelas metas do milênio da ONU", disse o ministro.
Neri negou que os dados tenham sido represados pelo Ipea para não prejudicar a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. "Houve uma decisão do Ipea de se manter à margem do período eleitoral em relação a qualquer tipo de dado. (…). O Ipea decidiu de forma autônoma, sem interveniência. Foi uma decisão da diretoria do Ipea de não divulgar dados bons ou ruins em qualquer circunstância", disse.
Fonte: Jornal do Commercio
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