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PEC não contempla diarista

15 de março de 2013

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Domésticas, que garante a trabalhadores em residências direitos como hora-extra, jornada diária de oito horas e recolhimento obrigatório do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), deixa de fora as diaristas. Juridicamente, os serviços prestados por essa categoria, apesar de serem dentro de residências, não apresentam o chamado "vínculo empregatício". Grosso modo, a Justiça do Trabalho no Brasil tem como entendimento que só quando há expediente por mais de três dias na semana em uma mesma casa existe uma relação trabalhista entre patrão e empregado. Assim, portanto, deixa-se de ser diarista e os direitos previstos na PEC passam a valer.

Não há, porém, lei específica para o tema. Há, por exemplo, decisões de alguns juízes brasileiros que entendem como vínculo o serviço prestado mais de dois dias. Inclusive, tramita a passos lentos, desde 2009, um projeto de lei no Congresso Nacional que sustenta essa tese (PL 7.279/2010, originado do Projeto de Lei do Senado nº 160/2009). O presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Pernambuco (OAB-PE), Marcondes Oliveira, reforça que "diaristas fogem do contrato de emprego e por isso não são abarcadas pela PEC das Domésticas". A PEC foi aprovada na última quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e será votada em plenário ainda este mês. Aprovada, será sancionada e vira lei.
 
O advogado Rômulo Saraiva explica que as diaristas, em grande maioria, não atendem a requisitos como subordinação, ou seja, trabalham quando e onde quiserem. O risco hoje para quem mantém uma diarista que, na prática, é uma empregada, é sofrer penalidades previstas em ações judiciais, com pagamento de retroativos e indenizações. Com a aprovação da PEC, a fatura ficará ainda maior, pois o conjunto de direitos passíveis de compensação será maior.
 
Presidente da ONG Instituto Doméstica Legal (que representa os patrões), Mario Avelino acredita que a nova legislação para o trabalho doméstico vai elevar a procura por diaristas no Brasil. "As famílias vão fugir da empregada com carteira assinada para essa profissional. No futuro, e isso pode ser rápido ou não, estaremos como os EUA e a Europa Ocidental, onde a mão de obra de trabalhadores domésticos só será possível para quem tem alto poder aquisitivo", ponderou.
 
Avelino vê com ressalvas os impactos da PEC. Se por um lado faz justiça a uma parcela de cerca de sete milhões de brasileiros, aumentará os custos para manutenção de um trabalhador com carteira assinada, especialmente para a classe média. Os resultados diretos serão demissões e aumento da informalidade. Levantamento do Doméstica Legal estima que poderão haver 800 mil desligamentos no curto prazo.

Fonte: Diario de Pernambuco

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