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PCR sem assumir o Estelita

6 de maio de 2015

Pressionado por uma plateia que o xingou de "covarde" e "capacho de empreiteira", o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), deu uma declaração dúbia ao se referir à aprovação e sanção do plano urbanístico para o Cais José Estelita, após participar da abertura da 3ª Semana de Comunicação Pública de Pernambuco na UFPE. "Nós não aprovamos, nós não apoiamos. Eu não conheço ninguém na Prefeitura do Recife que tenha se levantado para defender esse projeto", disse, em referência ao projeto imobiliário Novo Recife, que prevê a construção de 13 torres residenciais e comerciais na área do Cais José Estelita, e que foi viabilizado pela aprovação pela bancada governista na Câmara Municipal dos novos parâmetros de construção para a área.

O vice foi alvo de um dos protestos ocorridos ontem contra a aprovação do plano. No final da tarde, ativistas do Ocupe Estelita saíram em passeata do Parque 13 de Maio até o shopping RioMar (leia a matéria ao lado). No início da semana, a bancada governista da Câmara aprovou o plano em uma votação que não estava na pauta e, minutos depois, o prefeito Geraldo Julio (PSB) sancionou a nova lei ainda em São Paulo, onde cumpria agenda.

A declaração de Luciano ocorreu depois que ele classificou o Novo Recife como um "problema" herdado pela gestão atual. No final da tarde, o vice-prefeito divulgou uma nota esclarecendo a fala. "Em nenhum momento em nossa gestão defendemos o conteúdo do projeto Novo Recife da forma como o encontramos", dizia o texto, que não negava a fala anterior.

Luciano também disse que a rápida votação do projeto era um assunto interno da Câmara, sem interferência do Executivo e sugeriu que o questionamento fosse feito ao presidente da Casa, Vicente André Gomes (PSB). Ele também disse que a imediata sanção pelo prefeito é normal. "Qualquer projeto que é votado na Câmara e é decidido, ele é sancionado. Aliás, a lei obriga que o prefeito sancione dentro de um prazo curtíssimo", justificou.

Em nota, a prefeitura informou que a aprovação do plano urbanístico encerra um processo de amplo debate. Após a ocupação do terreno no Cais José Estelita, a PCR conduziu um processo de revisão do Novo Recife que resultou na mudança do gabarito de alguns prédios e no uso misto dos residenciais.

À Rádio Jornal, o secretário de Planejamento Urbano, Antônio Alexandre, disse que o consórcio precisará apresentar as adequações ao empreendimento para que ele volte a ser licenciado. A assessoria do Novo Recife afirmou que não há previsão para quando o redesenho será enviado para análise. Ele foi apresentado em novembro à imprensa.

Fonte: Jornal do Commercio

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