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Paulo só conta com recurso “azul e branco”
11 de dezembro de 2015Ciente das dificuldades econômicas que enfrentará em 2016, o governador Paulo Câmara admite que terá como desafio tocar o Estado com a pior arrecadação dos últimos 20 anos. Em entrevista à Rádio Jornal, o socialista também fez avaliações sobre a possibilidade de impeachment da presidente, a relação com o vice Michel Temer, saída de Eduardo Cunha, apoio à candidatura de Jarbas Vasconcelos na Câmara, operações de crédito, segurança pública e pagamento aos servidores.
PROMESSAS
Nada do que está no meu programa de governo é uma aventura. Pelo contrário, são questões estruturais, questões de valorização dos profissionais, questões que precisam ser tiradas do papel. Todo dia eu olho meu plano de governo e busco tirar dele as lições que eu preciso fazer e preparar o Estado para atendê-lo. Não sei se vai ser possível fazer tudo, porque estamos em ano de recessão, com receitas menores que 2014, nenhum analista previa isso. Pernambuco, nos últimos 20 anos, sempre teve uma arrecadação pelo menos que superasse a inflação. Pela primeira vez em 20 anos, nós vamos ter um ano onde a arrecadação vai crescer 3%. E quando nós descontarmos a inflação de 10%, vamos ter 7% a menos de receita, que dá mais de R$ 1 bilhão. Valor que poderia dar iní- cio a uma série de questões que a gente precisa fazer em Pernambuco e nos preparamos para o futuro. Isso não está sendo possível, e isso só será possí- vel quando o Brasil sair dessa crise.
EMPRÉSTIMOS
Eu estou trabalhando só para contar com o dinheiro azul e branco, infelizmente. Foi com o que pude contar em 2015 e eu não quero criar falsas expectativas em 2016. Nós assinamos um novo PAF (Programa de Ajuste Fiscal), que há previsão de operação de crédito em 2017. Eu tive uma reunião com a presidente da República, onde ela nos colocou a possibilidade de fazer operação de crédito para obras relativas à seca. Eu tenho a expectativa de ter operação de crédito já em 2016. Fazendo as obras hídricas, posso disponibilizar mais recursos para outras áreas.
PROFESSORES
Sempre que eu tiver folga para aumento da folha, eu vou priorizar as áreas de educação e de segurança. Quando coloquei no programa de governo que ia dobrar o salário dos professores, tem uma ótica muito clara nisso. Primeiro, vamos dobrar naquelas escolas que atingirem as metas. Eu vou destinar recursos para o aumento salarial dos professores tão logo tenha margem para isso e vou priorizar o mérito. As escolas que continuarem crescendo no Ideb. Os professores vão ter oportunidade de ganhar mais.
SERVIDORES
Nós não pudemos dar aumento este ano para nenhuma categoria. A Lei de Responsabilidade Fiscal nos impede pelos índices. Nós pactuamos com as polícias de ter um plano de cargos, carreiras e promoções que sejam cada vez reavaliados e colocados dentro da realidade necessária para as polícias. Logo haja margem, vamos querer sim dar um aumento salarial. O que é justo. Nós estamos com nossa folha em dia, vamos pagar o 13º no dia 15 e vamos pagar o mês de dezembro dentro da data pactuada. Estamos honrando nossos compromissos com o funcionalismo público porque não demos aumento. Se tivéssemos dado aumento, o Estado teria desequilibrado. Tivemos que dizer claramente que qualquer aumento ia impedir o cumprimento das datas. Tenho que agradecer aos servidores públicos por terem entendido isso.
DÉBITOS
Nós temos nossas obrigações e vamos cumprir. Temos os repasses aos poderes e aos municípios, que vamos continuar fazendo. Nós estamos tendo neste mês a condição de quitar uma série de débitos que vinham se arrastando com fornecedores. Vamos terminar o ano melhor do que começamos em termos de atrasos. Serviços novos só vão ser abertos quanto tiver a garantia de que vamos poder cumprir com as obrigações.
DILMA
A relação institucional tem que acontecer. Sempre que eu pedi audiência com a presidente, ela me concedeu. E sempre que ela quis falar comigo, eu fui falar com ela. Só tivemos alguns avanços nas últimas reuniões. Com o agravamento da seca, essa perspectiva dos Estados terem operação de crédito para obras hídricas, isso é um avanço, porque nem no começo do ano nós contávamos com isso. Houve uma sensibilidade por parte do governo federal em relação à microcefalia. Estamos em processo de negociação, onde vai exigir do governo federal recursos que ainda não foram garantidos.
CONCURSOS
Alguns já se encerraram, como o da Polícia Militar e agentes penitenciários. Vamos abrir novos concursos. Os que estão abertos, tão logo a gente tenha oportunidade de margem fiscal, vamos chamar. Na saúde, nós precisamos de mais gente.
IMPEACHMENT
Eu não sou eleitor da presidente Dilma. Nosso governo é de independência e nós não apoiamos muita coisa que o governo faz. Entendemos que a política foi errada, equivocada, e está levando à inflação, ao desemprego e à recessão. Nós entendemos claramente que impeachment não é golpe, é um processo que existe na Constituição. Há um processo aberto para apuração das responsabilidades. Mas entendemos, também, que a forma que está sendo conduzida pelo presidente Eduardo Cunha é equivocada, na base da chantagem, que enfraquece a democracia e as instituições. Nós defendemos as instituições, nós não defendemos o governo Dilma. Entendo que, diante dos fatos que foram apresentados nesse processo de impeachment, não há ainda motivo para afastamento por crime de responsabilidade da presidente. O Brasil precisa dessa definição, se vai ter impeachment ou não. Se aparecem fatos que mostrem crime de responsabilidade, nós vamos defender o impeachment, não tenho problema nenhum com isso. Eu, como governador, tenho que ter a responsabilidade de defender as instituições. Sou totalmente contra o recesso, temos que definir esse processo de impeachment. Se for para afastar, afasta. Se for para ficar a presidente Dilma, vamos buscar uma solução para o Brasil, uma união nacional, propor boas ideias e ajustes necessários.
JARBAS
Entendo também que é hora desse processo (de impeachment) ser concluído, isso é importante para o Brasil. E precisa ser concluído com pessoas que tenham legitimidade, que não é Eduardo Cunha. Temos deputados federais com condições de conduzir esse processo. Eu, inclusive, tenho candidato, que é o deputado Jarbas Vasconcelos. Ele tem condições de ser o presidente da Câmara e de conduzir, mesmo com as opiniões dele, com ética, com transparência e com moralidade.
MICHEL TEMER
Almocei ontem (quarta-feira) com Temer. Ele tem a capacidade de conversar com as pessoas, de buscar ampliar os espaços, de sair dessa conjuntura atual. Ele tem condições. Agora, para ele ser presidente, ele precisa passar por um processo legal, com as instituições funcionando, que esse processo de impeachment pareça um crime de responsabilidade que possa afastar uma presidente da República. Conversei sobre a carta para Dilma. Realmente, ele foi designado para algumas tarefas e algumas não tiveram o retorno prometido pelo governo. Ele está realmente chateado. Mas ele se mostrou claramente confiante nas instituições e que é importante superar isso também.
FUTEBOL
Não recebi ainda o projeto de lei do Legislativo. Vou analisar. Fui recentemente para um jogo do Santa Cruz e fiquei impressionado com a quantidade de bebida do lado de fora do estádio. Eu conversei com alguns governadores que já voltaram a permitir a bebida e eles me disseram que não viram nessa iniciativa nenhum tipo de prejuízo com relação à violência, que ela fica ainda restrita às organizadas.
HEMOBRÁS
A gente sempre vê atos como esse com muita tristeza, principalmente acontecendo no nosso Estado. Por outro lado, mostra o funcionamento importante das instituições de controle. Quem cometei ilícito, tem que pagar por isso. Tem que ter um processo legal, prazo de defesa. A Hemobrás, como é a refinaria, é uma obra federal. É uma empresa que faz parte de uma questão importante, da fabricação do plasma, ela ficaria como referência no Brasil. É muito importante que haja, por parte daqueles que fazem a Hemobrás, a tomada de atitudes para que a empresa não sofra prejuízos.
SEGURANÇA
De 2014 para cá, nós não temos conseguido reduzir os homicídios. E ao mesmo tempo vemos um aumento da violência banal. O Pacto Pela Vida promove um mapeamento, eu sei onde está tendo mais assaltos, mais homicídios. E ao mesmo tempo, não conseguimos atingir o nosso objetivo. Tenho plena convicção de que vamos começar 2016 com queda com os ajustes que foram feitos. Há um novo comandante da Polícia Militar, fizemos alterações nos diretores da Polícia Civil. Os resultados não estavam vindo. Nós estamos com uma epidemia do crack no Brasil, o crack entra muito fácil pelas nossas fronteiras. E esses assaltos pequenos, a maioria das vezes é com essas pessoas viciadas, que querem atender o seu vício. É importante ter uma polí- tica nacional que proteja as fronteiras e dê condições aos Estados de tratar esses usuários de crack numa escala maior. Nós estamos carentes de políticas públicas para evitar que esses jovens não se envolvam com drogas.
Fonte: Jornal do Commercio
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