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País tem PIB frustrante

30 de maio de 2013
RIO e BRASÍLIA – Com o resultado negativo da indústria e a desaceleração do consumo, o Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas do país) cresceu 0,6% no primeiro trimestre do ano na comparação livre de influências sazonais com os últimos três meses de 2012. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem e ficaram abaixo. Em valores, o PIB somou R$ 1,1 trilhão no período de janeiro a março. O resultado ficou abaixo do previsto pelo mercado, cujas expectativas apontavam para uma expansão de cerca de 0,9% no primeiro trimestre. Apesar disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo não vai adotar novas medidas de estímulo econômico.

Mantega destacou a melhora da qualidade do crescimento, com a aceleração dos investimentos, e disse que as medidas que incentivaram essa recuperação continuam atuando, como linhas de crédito mais baratas para empresários. Isso, segundo ele, torna desnecessária a adoção de novas medidas no momento. Num momento em que o governo tem se mostrado muito preocupado com a inflação, ele disse que também não haverá novas ações para estimular o aumento dos gastos dos consumidores. "Nós não pretendemos fazer estímulos ao consumo. O consumo tem que se recuperar a partir do dinamismo dos investimentos".

 
Segundo ele, o governo certamente revisará para baixo a projeção de alta de 3,5% para o PIB neste ano. Sem citar um novo patamar, disse apenas que o crescimento no ano ficará acima do 0,9% verificado em 2012. O ministro disse que conversou ontem pela manhã com a presidente Dilma Rousseff e que ela ficou satisfeita com a nova composição do PIB. "A presidente ficou muito satisfeita pelo resultado do investimento", afirmou.
 
INDÚSTRIA
O desempenho fraco da economia ocorre em meio à dificuldade da indústria de crescer – o setor é visto como o principal entrave a uma expansão mais robusta da economia. A indústria registrou queda de 0,3% de janeiro a março.
 
Já a principal novidade positiva veio da agropecuária e dos investimentos. Enquanto a agropecuária registrou expansão de 9,7% do quarto para o primeiro trimestre, o investimento cresceu 4,6% após um tombo de 4% no ano passado. Do terceiro para o quarto trimestre de 2012, o investimento havia registrado alta de 0,5%.
 
O setor de serviços, o de maior peso, avançou 0,5% na mesma base de comparação. Quanto ao setor externo, as importações (que são descontadas do cálculo do PIB, por refletirem uma produção realizada fora do País) cresceram 6,3% e as exportações caíram 6,4%.
 
Já em relação ao primeiro trimestre de 2012, o PIB cresceu 1,9%. O resultado reflete a queda de 1,4% da indústria, a expansão de 1,9% dos serviços e da alta de 17% da agropecuária. No que tange aos dados da demanda, o consumo das famílias teve alta de 2,1%. Já o investimento subiu 3%. O consumo do governo teve alta de 1,6%.
 
No indicador acumulado nos últimos 12 meses (quatro trimestres), os dados do IBGE mostram um crescimento de 1,2% da economia brasileira. O indicador mostra o quanto o PIB teria crescido se o ano se encerrasse em março. Para 2013, a previsão é de baixo crescimento. O segundo e o terceiro trimestres devem apresentar desaceleração, o que poderá ser amenizado nos últimos três meses do ano.
 
REVISÃO
Com a divulgação do desempenho da economia no primeiro trimestre, o IBGE também revisou a alta do PIB no terceiro trimestre de 2012 ante os três meses imediatamente anteriores de uma alta de 0,4% para um avanço de 0,3%, feitos os ajustes sazonais. 

Fonte: Jornal do Commercio

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